
No último jogo levei ao estádio três simpáticos amigos da minha filha mais nova, de terras tão diversas quanto Castro Daire, Boticas e Coimbra. Foram convidados para virem ao Pinheiro. Ver o Vitória, quando assim calha, também faz parte.
Vários jovens, amigos das minhas filhas, já foram comigo ao nosso estádio. A maior parte das vezes a sensação é tão boa em estar ali, que eles ficam fãs do nosso clube, para sempre. É um compromisso meu e nosso. Pode não reverter a catequização dos media, mas ficamos aliviados no propósito.
Gostaram, o Vitória jogou benzinho, mas a sensação única que aquele estádio normalmente transmite anda (ainda) muito arredia das bancadas. Não deu para perceber a magia que toma conta do estádio quando há fé.
Vamos hoje ao estádio mais por uma obrigação patrimonial do que, como era costume, por uma coletiva força interior. O impropério já nem nos sai da garganta. Estamos no divã e já nem um 4-0 nos anima por aí além. Admira-se este ou aquele pormenor, mas falta a fé em que as coisas vão melhorar. Injustamente já nem somos capazes de reparar e reconhecer aquilo que esta jovem rapaziada consegue fazer, contra todas as expetativas. Até o festejo dos golos é já ligeiramente maçador. Fiquei com pena. Mas o caminho é longo e pode trazer boas surpresas, quando esperamos por más. Temos que acordar rapidamente da letargia em que, estranhamente, mergulhamos. Esta rapaziada precisa que acreditemos neles, precisam de sentir isso.
Pode ser que, entretanto, acordemos do divã onde fomos fazer psicanálise, mas adormecemos antes da sessão. Por nós e por quem simpaticamente nos visita.
