José Mourinho bem se fartou de berrar quando chegou ao futebol inglês para que, perante aquela louca catadupa de jogos, houvesse alguma preocupação ao nível do calendário com os clubes que tinham a missão de representar a Inglaterra na UEFA.
E nos últimos anos alguma coisa foi feita nesse sentido, o que também ajuda a explicar porque os clubes ingleses têm brilhado nas provas europeias. Falando da última época, a de 2020/21, tivemos uma final 100% inglesa na final da Liga dos Campeões, que teve como palco o Dragão, com o Chelsea a vencer o Manchester City, e o Manchester United atingiu a final da Liga Europa, onde foi derrotado pelo Villarreal, no desempate por penáltis. Este ano já temos dois ingleses nos "quartos" da Champions - Manchester City e Liverpool -, que podem passar a quatro na próxima semana se o Chelsea confirmar a superioridade sobre o Lille (2-0 na primeira mão) e Manchester United se impuser ao Atlético Madrid, após o empate (1-1) na capital espanhola.
Por cá, a Liga e Federação continuam alegremente a assobiar para o lado, não se importando com a sobrecarga de jogos que as equipas que levam o nome de Portugal pela Europa fora acumulam em pouco tempo. Por isso, não é de admirar que um Lyon fresquinho tenha saído vitorioso da visita ao Dragão, onde apanhou um F. C. Porto exaurido por andar a jogar de três em três dias.
Quem faz sete jogos em 21 dias, entre 17 de fevereiro e 9 de março, não pode estar fisicamente à altura de quem no mesmo período fez quatro jogos! E isso foi notório. Se calhar não tinha sido má ideia a FPF ter atirado a primeira mão da meia-final da Taça de Portugal, entre Sporting e F. C. Porto, lá mais para a frente. É verdade que, para já, só o Sporting se despediu da Europa, que o F. C. Porto e o Benfica ainda têm uma segunda mão para disputar e o Braga, com dois golos à maior, parece estar em condições de chegar aos quartos. Para a semana faremos as contas...
*Editor-adjunto
