Portugal carrega há décadas um défice estrutural de produtividade. Produzimos menos 25% por hora trabalhada do que a média europeia e crescemos lentamente. Este atraso traduz-se em salários mais baixos, menor competitividade e maior vulnerabilidade económica. Portugal não conseguirá dar o salto enquanto mantiver um mercado laboral tão rígido, e é neste sentido que a nova reforma laboral parte de um diagnóstico correto.
Os mais prejudicados pela rigidez não são os trabalhadores com vínculos estáveis, são os jovens que tentam entrar no mercado de trabalho. Portugal tem uma elevadíssima taxa de desemprego jovem e uma das mais elevadas taxas de contratos temporários na União Europeia. Neste ponto, a flexibilização dos contratos a termo pode ajudar a reduzir a rotatividade e criar emprego, dando previsibilidade às empresas, sobretudo nos primeiros anos. Num país envelhecido não faz sentido continuar a dificultar a contratação. A flexibilidade, aqui, pode abrir portas, não é uma ameaça. Para muitas PME, ajustar horários a picos de atividade é essencial para evitar despedimentos e melhorar a eficiência. Mas a reforma falha ao permitir que o teletrabalho seja recusado sem justificação. Também na parentalidade surgem sinais contraditórios: apesar do avanço na licença de 180 dias pagos a 100%, o fim do luto gestacional remunerado é incompreensível.
Se queremos um país que valoriza o trabalho e onde os jovens deixem de ser outsiders precisamos de um mercado laboral que combine flexibilidade com justiça, dinamismo com proteção e, sobretudo, políticas que não desperdicem o talento que temos.

