Portugal precisa de reformas e por isso de políticos que aguentem o choque contra os interesses instalados. Há anos que alternamos entre remendos, anúncios e prudências táticas, como se o tempo fosse elástico. Não é.
Um desígnio nacional impõe-se: subir o nível de vida com produtividade, mérito e coesão. Reformar é escolher. E convém dizê-lo com frontalidade: reformas sérias raramente são consensuais. Se esperarmos unanimidade, escolhemos a paralisia. O consenso total é confortável, mas sinónimo de imobilismo. Por isso, reformar exige coragem política para assumir custos no curto prazo para ter resultados no longo prazo. Reformar sem demonizar setores, sem ceder a lobbies, corporações ou clientelas.
A primeira reforma é a do Estado: menos burocracia, prazos vinculativos, digitalização e uma administração pública com incentivos à eficiência. Sem capacidade de execução, qualquer política é impotência. A segunda é a reforma fiscal: simplificar, reduzir exceções, garantir previsibilidade e aliviar quem trabalha e investe, sem truques nem regimes opacos. A terceira é a justiça: rapidez e previsibilidade, sobretudo nos tribunais administrativos e fiscais, porque sem justiça eficaz não há confiança nem investimento. A quarta é uma política económica orientada para valor acrescentado: inovação aplicada, empresas com escala, ligação entre ciência e mercado, e investimento público reprodutivo que puxe produtividade e salários.
Um país melhor não se constrói com unanimidades e gestão corrente. Constrói-se com uma visão de longo prazo, coragem para reformar protegendo sempre o bem comum.

