Arrumadas as eleições para as comissões de coordenação e desenvolvimento regional, o coordenador autárquico dos socialistas afirmou à TSF ser tempo de recolocar na agenda o debate sobre a regionalização e a possibilidade de calendarizar o necessário referendo. André Rijo justifica que a mudança em Belém pode contribuir para um novo ambiente político, associado a um ciclo de previsível estabilidade, sem eleições pela frente nos próximos três anos.
É conhecido o pensamento do PS sobre a regionalização, que de certa forma é o nosso grande incumprimento inconstitucional, e não se duvida da bondade da posição expressa por André Rijo. Contudo, não é preciso muito esforço para encontrar três argumentos que rapidamente deitam por terra a tese de que o momento está a chegar. Desde logo, a alegada democratização da escolha dos presidentes das CCDR, iniciada na governação de António Costa. Todos sabemos que essa eleição pelos autarcas não passa de um simulacro: PSD e PS dividem entre si o país, escolhem quem querem colocar no cargo e pedem aos aparelhos que deem luz verde a essas escolhas.
Em segundo lugar, não basta dizer que Belém tem um novo inquilino. Importa perceber o que pensa ele sobre o assunto e que importância dará ao tema. Alguém se lembra de, nesta campanha, ouvir falar de regionalização ou combate ao centralismo? A resposta a esta pergunta diz tudo. Finalmente, importa ter em conta o ambiente político em que nos temos movido. Repetidas vezes a regionalização foi considerada "inoportuna" por Luís Montenegro. Continuamos a ser um país hipercentralizado, em que a própria desconcentração de competências para as CCDR é acompanhada de nomeações pelo Governo. Podemos desejar muito a proximidade e um modelo de governança diferente, mas a maioria dos nossos responsáveis políticos está muito confortável com o atual estado de coisas. Falar em regionalização, neste contexto, só pode soar a piada.

