<p>Passada a quadra pascal, regressa a política, nas mesmíssimas vertentes que dominavam o palco antes da interrupção: o PSD e a comissão de inquérito ao negócio PT/TVI. Ambos os temas terão, porém, nuances novas.</p>
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Com novo líder, a semana passar--se-á de volta da formação de listas. Quem convidará Passos Coelho? Que destaque terão os que o ajudaram a subir ao longo de dois anos até ao topo do partido? Que lugar estará reservado aos seus adversários?
Se estas questões têm resposta mais ou menos previsível, a verdade é que o tom do novo discurso do partido é uma curiosidade que só será desvendada quando o próprio falar no Congresso. Confesso que julguei que esse "segredo" não resistisse ao tempo, mas a verdade é que as curtas férias pascais também ajudaram a que não houvesse combates políticos. De resto, mais do que aquilo que vier dizer, o que interessa do novo discurso do novo líder é procurar desvendar se vem com pressa em derrubar o Governo ou se tem uma estratégia à distância, apontada para depois da eleição do presidente da República, virada para meados de 2011.
Na comissão de inquérito também poderá haver novidades. Desde logo, a de o PS poder estar interessado em criar uma comissão idêntica para apurar o que se passou no negócio dos submarinos. O PSD e o PP ficarão com as orelhas a arder e o PS, não sabendo em concreto o que há para apurar, mas cavalgando uma investigação alemã, sempre conseguirá que o espaço mediático se divida entre a eventual mentira do primeiro-ministro e as alegadas luvas proporcionadas pelo negócio dos submarinos. O Bloco e o PCP só têm a ganhar com os partidos do arco do poder a terem de dar explicações.
É assim a política portuguesa: os actores são mais empenhados no ataque aos adversários do que no estudo da crise e das melhores soluções para sairmos dela. Por isso estamos onde estamos.
P. S.: Quando os casamentos gay começaram a ser discutidos, foi dito que a pressa resultava de a Igreja não querer que o assunto estivesse sobre a mesa quando o Papa viesse a Portugal. Não está. O facto é que mesmo a Igreja deveria saber que o homem põe e Deus dispõe. Ironia das ironias, o que está na ordem do dia são (novamente) casos de pedofilia envolvendo sacerdotes. O cardeal de Lisboa já teve de falar no assunto e o próprio Papa já se viu envolvido. Não é justo que a Igreja no seu todo e o Papa em particular sejam atacados pelos crimes que pessoas singulares cometem ou cometeram, ainda que protegidas pelo grande tecto clerical. Mas é urgente que a Igreja deixe de considerar os casos de pedofilia como problemas que tem de resolver com os seus sacerdotes e comece a denunciá-los à justiça civil, para que sejam punidos.
