Surpreendente, a primeira derrota do F. C. Porto na Liga acontece imprevisível e com estrondo num campo onde se jogaram todos os factores de improbabilidade. Nunca o Casa Pia havia ganho aos dragões e não tinham sequer uma vitória em casa, o F. C. Porto ainda não tinha sofrido dois golos nem perdido qualquer ponto fora de casa. Nas duas vezes que se aproximaram da baliza adversária, os gansos marcaram dois golos. Num jogo onde tudo aconteceu, não se pode dizer que os minutos iniciais não tenham dado a ideia que a superioridade azul e branca era evidente.
Com controlo, agitação e intensidade, o F. C. Porto colocou Pablo Rosario numa zona adiantada pela direita para criar a superioridade numérica que o ausente Froholdt normalmente consegue somar ao jogo colectivo. Após o arranque, a equipa adensou o jogo pelo centro, com a mais do que conhecida e estudada utilização de Samu como "pivot" ofensivo de costas voltadas para a baliza adversária. A equipa escolheu acumular perdas de bola como se jogasse num funil sem abertura. Até que um golo do Casa Pia, contra a corrente, atiçou a equipa para uma reacção que o autogolo azarado de Thiago Silva contrariou, alimentando todas as dúvidas até ao intervalo. Talvez ninguém acreditasse no 2-0, mas muitos ainda se refugiavam no "isto é futebol".
O início da segunda metade trouxe um golo madrugador e muito tempo pela frente para dar a volta ao resultado. Com algum azar mas também com muita inconsistência, Farioli conseguiu a proeza de não ter Rodrigo Mora em campo e de assistir a um jogador a perder os pitons na cabeça do adversário, condenando a equipa a um triste fim. Com o Sporting, o que poderia ser uma jornada definitiva para a conquista da Liga passa a "apenas" mais um jogo em que procuraremos voltar à distância de um conforto de 7 pontos que são 8. Mas o empate já será um resultado suficiente para ambos. Parte da magia, foi-se. É preciso acreditar para que volte.
*Adepto do F. C. Porto

