
O Norte tem 3,6M habitantes (35% da população portuguesa) e assegura 29,4% do PIB nacional - 78 700M€ em 2023 - bem como 39% das exportações de bens. O território, 23,9% do continente, tem grande heterogeneidade orográfica e de usos do solo: um litoral densamente povoado e urbanizado, um interior demograficamente rarefeito e malhas urbano-rurais complexas e altamente interpenetradas.Entre 2014 e 2024, o Norte cresceu acima da média nacional, com exceção do ano da pandemia (2020) e de 2022, o da retoma turística intensa. Assim, a Região convergiu a nível nacional (84,3% para 86,0%) e europeu (64,7% para 70,8%) em termos de PIB por habitante. Em 2024, ao atingir os 23 280€ - crescimento de 6,5% (face aos 5,9% nacionais) -, o Norte deixou a última posição desse indicador entre as regiões do continente. Apesar deste progresso, continua inferior ao da Galiza (30 191€).A última década, com choques exógenos impactantes para uma região exportadora, trouxe transformações estruturais profundas. O desemprego, que em 2014 se situava nos 16% e acima da média nacional, convergiu e estabilizou nos 6%. O emprego terciarizou-se (61,8% para 65,1%), mantendo um peso relevante da indústria (26,2% para 23,2%). As qualificações aumentaram de forma expressiva: em 2011, 66,7% dos trabalhadores não possuíam habilitações superiores ao 3.° ciclo do Básico; em 2024, esse valor caiu para 37%, enquanto a proporção de trabalhadores com Ensino Superior subiu para 32,3%. Ao longo da década, foram criados 300 000 empregos e o índice de pobreza reduziu-se 18,6% para 15,4%, convergindo com a média nacional.A economia do Norte tornou-se mais resiliente graças a uma maior diversificação. Os serviços cresceram de forma significativa, incluindo no turismo - onde o aumento de 65% nas dormidas supera os 46% a nível nacional - e também nas atividades de I&D. A indústria evoluiu para segmentos de maior valor acrescentado: o peso dos produtos de média intensidade tecnológica caiu de 55,1% para 48,6% na década, enquanto os de alta intensidade subiram de 4,5% para 9,5%. O setor automóvel reforçou a sua posição exportadora (19,1%) e os instrumentos de precisão registaram o maior crescimento (180%). Os setores tradicionais, como o têxtil e o calçado, mantêm forte relevância, totalizando cerca de 700 M€ em exportações em 2024.A geração de valor permanece o principal desafio da economia do Norte. Embora o investimento em capital fixo e em I&D por parte das empresas supere a média nacional, é crucial reforçar a transição para setores de maior valor acrescentado, como mobilidade inteligente, semicondutores ou aeroespacial. Este desafio estende-se a toda a economia regional, desde os setores tradicionais ao vitivinícola e ao turismo.Assim, a articulação entre políticas de inovação e território tornasse fundamental num contexto em que o sistema regional de inovação deve, cada vez mais, acentuar a sua especificidade.
