Sem surpresa, Rui Costa oficializou na terça-feira, 21 de setembro, a candidatura à presidência do Benfica, a ida a votos para suceder a 9 de outubro, via urnas e não na secretaria, a Luís Filipe Vieira.
Ninguém coloca em causa o benfiquismo do "maestro", mas a forma como a sua direção, ou melhor, a escolhida por Vieira, fez a gestão da marcação do ato eleitoral não só não faz jus ao lema escolhido para a candidatura que encabeça - "Com todos, por todos, pelo Benfica" -, como não promete acabar com a contestação. Pelo contrário.
É que com prazos tão apertados - cinco semanas entre a demissão dos órgãos sociais e a data das eleições -, com o regulamento eleitoral que permitirá o regresso ao voto físico ainda por definir, tudo parece ter sido feito para beneficiar quem está no poder, de forma a tirar proveito dos resultados da equipa de futebol, nomeadamente da liderança da Liga e do tão festejado apuramento para a fase de grupos da Champions.
Se como diz o ditado, à mulher de César não basta ser honesta/séria, é preciso também que o pareça, Rui Costa desperdiçou uma excelente oportunidade para conseguir unir o fragmentado universo benfiquista. Ao não dar tempo aos rivais do "Vieirismo" para se organizarem, e por muito massiva seja a votação que venha a ter, Rui Costa nunca poderá reclamar uma vitória totalmente imaculada se não participarem no sufrágio os principais rostos da oposição, a começar por João Noronha Lopes, como já anunciou o segundo candidato mais votado (34,71%) nas eleições de 2020.
Rui Costa afirmou, na apresentação da candidatura, que jamais poderia deixar de responder à chamada num dos momentos mais desafiantes da história do Benfica. Por ser um momento tão especial, o fim de uma era, o processo de convocação de eleições justificava uma transparência que deixasse os críticos sem quaisquer argumentos para o contestar. Não foi isso que aconteceu. Infelizmente.
*Editor-adjunto
