O futebol é olhado como um mundo à parte, onde os negócios, dos milionários aos mais "mixurucas", parecem sempre nublosos, rodeados de secretismos que levantam a suspeita de que há gente a meter a mão na massa indevidamente. Neste mercado de inverno, o Benfica fez pela segunda vez na sua história uma venda acima dos cem milhões de euros e o presidente Rui Costa não teve problemas em explicar "tintim por tintim" a operação que levou Enzo Fernández ao Chelsea.
Sentiu a necessidade de esclarecer a nação benfiquista sobre as opções tomadas - os críticos vieram logo colocar em causa a sua palavra, sobre nenhum titular sair por valor inferior à cláusula de rescisão - e acabou por estender a explicação a muita gente que se pavoneia a comentar tudo, até aquilo de que nada percebe.
Todos ficamos a saber que a cláusula de rescisão não implica uma saída litigiosa, que está na mão do jogador decidir o que acontece se algum clube estiver disponível a abonar o valor em causa. Tal não implica também o pagamento imediato da totalidade da verba, embora, neste caso, o Benfica tenha assegurado, mediante garantias, que a pode reclamar se precisar. Também esclareceu de forma clara que não há como fugir às comissões aos agentes - os tais 10%, o teto máximo estipulado pela FIFA -, sobretudo quando se trata de jogadores de elevado potencial, pois isso fica logo estabelecido quando os contratos são assinados.
Mesmo compreendendo os desejos de Enzo - afinal, trata-se do contrato de uma vida e o Benfica, como reconheceu, nunca o poderia igualar -, Rui Costa não deixou de arrasar o comportamento do argentino, intransigente quanto à saída apesar de existir a hipótese de ficar até ao fim da época nas águias sem perder um euro e depois rumar ao Chelsea. Rui Costa falou como presidente, adepto e ex-jogador do Benfica, e não deixou nada sem resposta. É disto que o futebol precisa. De transparência!
*Editor-adjunto
