Não é um exagero, mas um facto: foi o jogo mais difícil do ano e pode bem ter sido dos jogos mais complexos da época. A vitória do F. C. Porto em Guimarães não foi isenta de estrelinha, apesar de ter contado com uma multiplicidade de sabores que não foram trazidos pelo vento. Desde logo, a capacidade para saber conter um adversário em pico de forma e ambição, ainda elevado pela conquista da Taça da Liga onde eliminou F. C. Porto e Sporting, vencendo o Braga na final. Ou seja, o Vitória sabia ser capaz. Com inteligência emocional, coeso, mas com pouco futebol ofensivo, o F. C. Porto foi uma equipa à volta do seu último reduto, trabalhadora pela humildade de saber defender e esperar pelo melhor momento - o do desgaste do adversário - para se atirar à vitória. Correu riscos, expôs-se ao pior, mas ainda assim falhou um penálti, enviando um míssil à barra com estrondo por Samu. Mesmo encolhido e defensivo, o dragão nunca deixou de se mostrar capaz de ferir. A intensidade dos duelos teve um vencedor e esse foi o Vitória. Com um futebol que ainda não tinha apresentado esta época, obrigou o F. C. Porto a oscilar como ainda não tinha oscilado fora de casa. Apesar dos sustos, é verdadeiramente impressionante que o F. C. Porto não tenha deixado cair um só ponto fora de casa, encontrando no banco um rapaz de 17 anos com a vontade indomável de partir para cima de um adversário que desconhece. Foi assim com Oskar, nomeação polaca de um jogador promessa, vindo do frio para quebrar o gelo do resultado. Depois, Varela, não tão bem-amado esta época, à procura do melhor de si pela redenção do golo. Confiança e experiência também presente na exibição de Thiago Silva numa estreia com Kiwior, como se fossem uma dupla de muitos jogos passados. Um pouco como quem joga para ganhar seja como e onde for, esta é uma equipa com poder de encaixe.
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