Não estando disponível José Mourinho - nome nunca desmentido como o preferido e que seria muito consensual -, Fernando Gomes decidiu avançar para a contratação de um selecionador estrangeiro, o espanhol Roberto Martínez. Apesar de Portugal ter reconhecidamente dos melhores treinadores do Mundo, o presidente da FPF entendeu, estranhamente, que mais nenhum estava à altura de dar continuidade ao legado deixado por Fernando Santos - conquistas do Campeonato da Europa de 2016 e da Liga das Nações de 2019.
André Villas-Boas, que está livre e sonha colocar um ponto final na carreira à frente de uma seleção, Abel Ferreira (Palmeiras) - apontado como candidato a comandar o Brasil -, Paulo Fonseca (Lille) e Jorge Jesus (Fenerbahçe). Estes são apenas alguns dos técnicos portugueses que me vieram à cabeça como potenciais selecionadores quando foi anunciada a saída de Fernando Santos, atendendo ao perfil de cada um e às provas dadas ao longo dos anos. Mas, pelos vistos, nunca foram hipóteses consideradas por Fernando Gomes - se calhar para não ferir suscetibilidades clubísticas ou alguém do próprio grupo de jogadores da seleção... -, que garantiu na apresentação do novo selecionador que só tinha encetado negociações com Roberto Martínez.
Depois de trabalhar com Paulo Bento e Fernando Santos, Fernando Gomes reabriu as portas da seleção a um estrangeiro até 2026, ou seja, com vínculo para lá do fim do mandato, que acaba em 2024. Nada tenho contra um selecionador de outra nacionalidade, mas lamento a opção tomada pela FPF. Gostaria de continuar a ter um português a liderar a equipa das quinas. E não devo ser o único! Resta-me desejar muito sucesso ao ex-treinador da Bélgica e, por antecipação, a José Mourinho. É que o processo da sucessão de Fernando Santos indicia que o "Special One" só não será o próximo português a treinar a seleção se não quiser...
*Editor-adjunto
