Nos tempos do arroz de quinze da minha infância, falavam em quatro obras essenciais ao futuro e modernização do Porto: a Avenida da Ponte, os túneis da Ribeira e de Gonçalo Cristóvão e a via Nun"Álvares.
Delas, para mal e ampliação dos nossos pecados urbanísticos, foi construída a primeira que, além de destruir um terço do Bairro da Sé e quantidade substancial de património arquitectónico, deixou como atributo ao coração da cidade a pedreira, cuja solução parece mais difícil do que a do túnel sob a Mancha.
Melhor obra foi o Túnel da Ribeira que, pese embora a fealdade da entrada nascente (colmatada pela inexcedível "Ribeira Negra" e o painel de Fernando Lanhas), salvou a Ribeira de verdadeira hecatombe que se prenunciava. Infelizmente o de Gonçalo Cristóvão não teve a mesma sorte, quando teria sido a grande oportunidade de ligar a cidade Ocidental à Oriental, e o acesso ao Bonfim e Campanhã, nunca resolvido de forma eficaz.
Foi, pois, com alvoroço e expectativa que li a notícia de que a "Avenida Nun"Álvares avança ao fim de cem anos e vai custar 30 milhões". Mas, como já ouvi milhentas promessas, só acredito quando lá vir os bulldozers a avançarem.
E, mesmo assim, fico à espera que algum dos interesses que, ao longo do tempo, obstacularizam esta opção ao deserto urbano do interior de Nevogilde, não inventem novas objecções ao empreendimento.
Além de, finalmente, construir cidade onde ela não existe, esta é a oportunida-de de salvar parte da Foz Velha e as avenidas da beira-mar do caos viário que as atinge diariamente. Venha, pois, a obra, para a melhoria da nossa vida.
