"Mínima interferência, máximo benefício". É com este sugestivo título que a página da Federação Portuguesa de Futebol nos fala da introdução do vídeo-árbitro.
Se é verdade que a interferência do VAR tem sido mínima - aliás, começam a ser demasiadas as vezes em que, qual Pôncio Pilatos, lava as mãos em vez de ajudar a defender a verdade desportiva -, o benefício, que existe, está longe de ser máximo. Pelo contrário.
Os árbitros continuam, semana após semana, nas bocas do mundo, e pelas piores razões. Por mais queixinhas que a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) faça na justiça desportiva, nunca tirará a razão a quem se lamenta dos erros grosseiros dos seus associados, sejam eles juízes de campo ou vídeo-árbitros.
Esta rápida intervenção corporativista da APAF, às vezes por declarações banais de quem se sente prejudicado - "Não tem competência ou precisa de ir ao oculista", como disse, por exemplo, Sérgio Conceição -, mais não parece do que uma desesperada tentativa para desviar a atenção de erros de palmatória que, incompreensivelmente, já nem o VAR parece ter interesse em emendar, apesar da panóplia tecnológica que tem ao dispor. Foi o que se passou no F. C. Porto-Boavista, um dos últimos jogos em que o árbitro (Tiago Martins) e o VAR (Nuno Almeida) fizeram um péssimo trabalho.
Era com a qualidade das arbitragens que a APAF devia realmente preocupar-se, em vez de criar cortinas de fumo. Mas se a sede de protagonismo da APAF começa a roçar o rídiculo, também se lamenta o silêncio do Conselho de Arbitragem (CA). Não basta mandar Tiago Martins e Nuno Almeida para a jarra. Gostaria de saber que critérios levaram o CA a achar que Tiago Martins era o árbitro indicado para apitar o F. C. Porto-Boavista após a polémica atuação como VAR, apenas duas jornadas antes, na receção dos dragões ao Paços de Ferreira. Até parece que gosta de apagar fogos com gasolina...
*Editor-Adjunto
