Quando saí da faculdade havia crise no emprego. Pouco tempo depois, o Governo sugeriu que saíssemos da nossa "zona de conforto" e procurássemos emprego fora. Trocando por miúdos: "Faz as malinhas e põe-te ao fresco". Entretanto, sair de casa dos pais tornou-se um filme digno de Oscar. Sou independente e vivo o mês todo com a corda na garganta? Fico com os pais? Tento comprar casa? Ai, espera, onde arranjo dinheiro para a entrada? Pára tudo! Anda aí um vírus estranho que mata. Mas vem dos morcegos? De um laboratório? Cala-te e fecha-te em casa. Não visites a família, usa a máscara e reza. Ufa, sobrevivi. Agora só tenho de superar o trauma social, não adoecer (o SNS não aguenta) e descobrir como vou atestar o depósito do carro com a gasolina a este preço. Socorro.
Leitura: 1 min

