O JN, a TVI, a CNN Portugal e a TSF decidiram fazer uma tracking poll (que numa tradução livre se designa por pesquisa de acompanhamento) sobre a evolução diária do sentido de voto. Para a esmagadora maioria das pessoas, uma sondagem diária. No seu último resultado, publicado no JN no final do dia 16 de janeiro (véspera do dia de reflexão) apontavam-se os seguintes resultados: Seguro: 25,1%, Ventura: 23,0% e Cotrim, que o Observador referia como "quem mais sobe desde a última sondagem", tinha 22,3%. Estávamos, assim, perante um "empate técnico", ou seja, qualquer um destes candidatos podia ir à 2.ª volta.
A Universidade Católica, em sondagem feita para o "Público", RTP e Antena 1, divulgada a 13 de janeiro, previa que André Ventura ficaria à frente, com 24%, seguido de Seguro, com 23% e Cotrim, com 19% (também um empate técnico entre os três).
A Intercampus, em sondagem realizada para o CM, CMTV e Now, divulgada a 14 de janeiro, apontava para a vitória de Ventura, com 18,6%, seguido de Marques Mendes, com 15,3%, Cotrim com 14,3% e Seguro com 12,5%.
Os verdadeiros resultados eleitorais foram os seguintes: Seguro: 31,1%, Ventura: 23,5%, Cotrim: 16,0% e Marques Mendes: 11,3% (para apenas referir os candidatos que as sondagens apontaram, nos últimos dias, como potenciais concorrentes da 2.ª volta).
Numa campanha eleitoral desinteressante, o (único) tema passou a ser os resultados destas "sondagens", onde os candidatos eram intimados pelos jornalistas a comentarem os mesmos e onde se gastaram horas a fio com programas animados por comentadores que... discorriam sobre estas "sondagens". As diferenças entre a realidade e as sondagens mostram que estas, mais do que estudos de opinião, são instrumentos de manipulação de opiniões.
No caso, quem mais prejudicado ficou foram os candidatos da Esquerda que, perante o risco de passarem dois candidatos de Direita à 2.ª volta, foram votar "útil" em Seguro. Bem sei que acertar nos resultados do futebol à segunda-feira é fácil. Mas olhando para os resultados reais, se Seguro tivesse tido menos 15% da percentagem que teve, passaria na mesma à segunda volta, onde, previsivelmente, ganhará folgadamente a Ventura (até porque os eleitores de Esquerda nunca facilitarão face à extrema-direita)... Esses 15% nos candidatos à esquerda de Seguro, não mudando, em nada, o nome do próximo presidente da República, teriam sido verdadeiramente úteis para as mudanças políticas que se exigem no país após 8 de fevereiro! Mas as sondagens não são feitas para manter as políticas atuais?...

