Quem nunca gozou com um sotaque que atire a primeira pedra (não podem é ser todos ao mesmo tempo que ainda me acertam).
Mesmo assim, nunca compreendi a ditadura fonética que leva a uma quase inexistência de sotaques na linguagem televisiva, à exceção daquele considerado correto, mas que transforma ministros em "menistros", Filipes em "Flips" e vizinhos em "vezinhos".
Desde que seja percetível e em português correto, que mal tem o sotaque portuense, alentejano, transmontano, algarvio, madeirense ou o quase estrangeiro açoriano? depois, levamos com o "quem "trôce", quem "trôce", foi o Pingo Doce".
Não bastava a música ficar irritantemente no ouvido, também reduz o "ou" a um "ô". A rima exige? Cantem Pingo "Douce"! Pior, só o anúncio da menina que quer ver um boneco de neve. Aparece-me mais uma vez à frente e quem lhe atira uma pedra sou eu.
*Jornalista

