O impacto das recentes intempéries na Região Centro - com milhares de ocorrências, destruição e prejuízos muito significativos, falhas energéticas e de comunicações, bem como vítimas mortais - motiva um abraço solidário a todos os atingidos pela catástrofe e o reconhecimento dos que deram e estão a dar o melhor do seu esforço e competência para minorar esses impactos. Motiva também uma reflexão sobre a resiliência do Norte a cenários semelhantes, no contexto das suas especificidades territoriais.
O recentemente aprovado Plano Regional de Ordenamento do Território (PROT-Norte) sublinha a centralidade dos sistemas territoriais - água, energia, biodiversidade e carbono - como capital estruturante do desenvolvimento regional. Reconhece risco em quadros de pressões climáticas extremas, dedicando uma secção às quatro tipologias de vulnerabilidades críticas associadas. Os riscos naturais: meteorologia adversa, incluindo ondas de calor; e hidrologia, nomeadamente secas, cheias e inundações, bem como galgamentos costeiros. Os riscos tecnológicos: em infraestruturas, p. ex., rotura de barragens; e em atividades económicas, p. ex., acidentes em instalações físicas com substâncias perigosas. Os riscos mistos relacionados com a atmosfera, incluindo o regime de fogo. E vulnerabilidades específicas, como a zona de Esposende-Vila do Conde e a desertificação dos solos.
Neste racional, importa preservar a integridade ecológica de bacias hidrográficas, áreas florestais, cumeadas e encostas, bem como dos elementos particularmente sensíveis a fenómenos de erosão sob pressões crescentes dos regimes hidrológicos. A forte identidade hidrográfica, aliada a padrões de precipitação cada vez mais irregulares, acentua os riscos naturais e coloca o Norte em posição de suscetibilidade elevada a cheias rápidas, inundações urbanas e costeiras. A instabilidade de encostas e a erosão dos solos constituem outra vulnerabilidade estrutural, num território de topografia acentuada e elevada densidade hidrográfica, aliada a períodos prolongados quer de saturação como de stress hídrico dos solos. A gestão ativa das áreas naturais e dos corredores ecológicos é essencial para reduzir estes riscos.
Durante a passagem da Kristin, o Norte litoral esteve sob aviso vermelho, confirmando o risco de exposição a condições naturais extremas, incluindo rajadas ciclónicas resultantes da ciclogénese explosiva. Se a ocorrência destes fenómenos não é controlável, a resiliência dos diferentes territórios pode e deve ser melhorada e o PROT-Norte aporta uma leitura integrada, essencial para um novo planeamento e gestão adaptativos.

