Olhar para um país utilizando a lente dos indicadores conjunturais é legítimo, mas esconde, por vezes, o que de mais negativo ou positivo está contido nessa realidade socioeconómica. A revista "The Economist" mostrou que Portugal é a economia do ano. O ranking em causa avaliou cinco dimensões - taxa de crescimento do PIB, inflação, volatilidade da inflação (quanto mais estável, melhor), desempenho bolsista e nível de emprego. E o que passa nos indicadores que mostram como vivem mesmo as nossas classes médias?
1. O PIB per capita, em paridades do poder de compra (que elimina distorções causadas pelos preços e salários), foi de 82% da média comunitária (UE) em 2024, sendo o décimo mais baixo da UE e o sexto pior da Zona Euro.
2. A Comissão Europeia estima que a sobrevalorização média dos preços da habitação em Portugal é mais alta, "em cerca de 25%", face aos nossos parceiros. Conseguimos mesmo ser piores face aos mercados sobreaquecidos da Suécia, Áustria ou Letónia.
3. Portugal está entre os países da UE com salários mais baixos, tendo sido ultrapassado por membros mais recentes, como a Eslovénia, a Lituânia ou a Letónia. Continua muito distante dos níveis salariais da Alemanha, Dinamarca, Suécia ou da Bélgica. Um em cada dez trabalhadores no nosso país vive em situação de pobreza.
4. Portugal tem desde há anos uma das taxas de desemprego jovem (15-24 anos) mais altas da UE (18,5% em junho), ocupando a sétima posição em 27 países.
5. Em 2024, fomos o país da UE que, em média, mais gastou em alimentação, com uma despesa real (ajustada à inflação) per capita de 3300€ /ano - uma subida de 43,5% face aos níveis de 2020.Podemos voltar à realidade, depois do voo de drone proporcionado pela revista "The Economist"?

