
Sem omitir que os vencedores não são todos iguais, o melhor que se pode dizer de alguém, na corrida de obstáculos a que chamamos vida, foi escrito por Bertolt Brecht: "Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e são os imprescindíveis".
Conheci alguns destes. O mais recente trabalha, recatado e simples, numa antiga loja da Rua do Almada, à vista de todos. Não esconde o que faz, desde a técnica ao modo como constrói o quadro. É, como se dizia, pintor de arte e retratista. Reproduz a realidade - quero dizer, os retratados - como ela é, ou como eles e elas são. Sem artifícios plásticos e, sobretudo, sem esmaltar (havia um retratista a quem chamavam "esmalta" pelo preciosismo com que adocicava o retratado. Quase fotograficamente). Nada disto sucede com este portuense de quem realço o mérito e a capacidade de conciliar a fidelidade ao modelo com a fantasia do inacabado e do criativo do envolvimento da figura, onde avulta a expressão no que parece secundá-rio.
Por toda a actividade, rigorosa e repleta de emoção de um autodidacta (palavra incómoda, numa época de certezas e celebrações académicas - que não ponho em causa, desde que os saberes correspondam aos diplomas), aqui presto uma simples homenagem ao homem/artista/artesão que muito admiro e que, mercê do seu talento, todos conhecem por Mestre António Bessa. Do Porto a Kiev, passando por Roma ele tem retratado este mundo e o outro (o da saudade e da memória a quem, serenamente, dá rosto e significado).
