É uma questão de tempo, as fronteiras nunca estão definitivamente controladas, nada está, até que os EUA, a China ou a Rússia tomem mais um ou outro pedaço de terra. Seja por questões políticas, energéticas, comerciais, será sempre o poder, o económico, a levar a melhor sobre os marcos que separam os terrenos. Pavoroso é vermos quão a sociedade civil pouco importa para a construção deste xadrez geográfico de influências e domínio, com a possível ocupação da Gronelândia, que pertence à Dinamarca, um membro da NATO, à cabeça. Trump, tão rápido a agir na Venezuela, tão determinado na conquista do ártico aos inuítes, anda há dias a pensar na melhor estratégia para o Irão, diz ao povo para tomar as instituições, diz que a ajuda vai a caminho, apela à ação, mas pelo meio ficam as vidas de milhares a tentar mudar um regime e um país que cala à bala quem fala contra, sem ter ajuda norte-americana, prometida e longínqua, assombrosamente demorada. Mais de três mil mortos. Uma tragédia mundial pela liberdade. O Irão é o mais recente palco da atuação propagandística, não física, israelo-americana. Os dois países concordam que os aiatolas têm de ser afastados do poder, mas estão ainda na plateia a ver a fogueira a arder bem alta, apesar de todos os reveses que uma intervenção militar externa pudesse criar, nomeadamente o aproveitamento do regime tecnocrata para conseguir apoio interno contra um inimigo de longa duração. É vertiginoso acompanhar a política internacional nestes moldes, a contar infinitos sacos plásticos pretos de vítimas. O presidente dos EUA parece estar encurralado, até porque as ações na região têm sido tudo menos gloriosas. A União Europeia limita-se às sanções, a mesma moeda de retaliação usada contra a Rússia, sem grande efeito até agora. Que o Irão seja livre por si, porque se contar com os demais, arrisca-se a ficar de mãos a abanar.
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