Depois do ex-secretário de Estado da Saúde Lacerda Sales, também Nuno Rebelo de Sousa resolveu invocar o direito ao silêncio quando convidado a esclarecer a sua intervenção na agilização da aplicação do medicamento mais caro do Mundo a duas crianças, numa clara desvalorização do papel dos deputados e, por arrasto, de um país inteiro. No caso do filho do presidente da República, ontem “ouvido”, houve até uma certa arrogância na forma como tratou os parlamentares, logo, também quem os elegeu.
Nuno Rebelo de Sousa é arguido no caso das gémeas brasileiras, cujos contornos continuam por esclarecer. Não está acusado de nada, mas já provocou danos evidentes na relação de confiança entre os eleitores e Marcelo Rebelo de Sousa, que depressa tratou de se distanciar do filho, sem sucesso, como se percebe ao olhar para os mais recentes estudos de opinião. O mal está feito - e já agora, o bem clínico também, porque as crianças receberam o tratamento -, só que ainda não conseguimos entender a real dimensão deste argumento. Todos se refugiam no mais indecente dos silêncios, aquele que ignora a Assembleia da República, casa da democracia, restando a esperança de a Justiça desenvolver o seu trabalho sem contemplações.
Por falar em Justiça, também ontem, ficámos a saber que a procuradora-geral da República optou pelo silêncio, mas a prazo, prometendo responder adiante às perguntas dos deputados. Estou certo de que não falhará. Para quem está na ponta final de um mandato marcado pela clara inabilidade para comunicar, também não custa esperar mais um bocadinho. Se possível, sentados.

