Ler insinuações, difamações e julgamentos de caráter não é propriamente algo que deixe alguém bem-disposto. No entanto, o comentador Rui Santos, numa entrevista que deu ao jornal "i", quase conseguia ser divertido. É-o, aliás, muitas vezes quando veste o fato de grande salvador do futebol, da ética e dos bons costumes. Sejamos justos, não é só divertido, vê-lo a vender a sua mais do que pretensiosa superioridade moral é de ir às lágrimas. A sua opinião é bacteriologicamente pura, a dos outros é refém de esquemas maléficos; o SOS racismo diz que Rui Santos fez declarações "inequivocamente racistas e xenófobas", mas ele acha que há é uma tramoia para esconder problemas financeiros; o Rodolfo só merece consideração se disser o que o homem que vive do futebol mas passa a vida a dizer mal dele e a declarar o que ele acha certo - só quem não conhece o capitão pode pensar que alguém o pode condicionar, o grave é que o comentador sabe isso.
A dada altura, Rui Santos afirma que Pinto da Costa foi destrutivo para o futebol nacional. O homem que, enquanto presidente de um clube português ganhou duas Champions, duas taças UEFA, duas do Mundo e uma Supertaça Europeia foi péssimo para o nosso futebol. O único clube a ganhar uma (foram sete) competição internacional de clubes desde 1964 é gerido por alguém destrutivo para a modalidade.
A consideração é tão aberrante que até podíamos pensar que o nosso comentador acha que o F. C. Porto não faz parte do futebol português, mas não será isso. É só o que o Rui Santos sente acerca de Pinto da Costa e do F. C. Porto. Uma coisa tóxica. Digamos que foi uma entrevista muito esclarecedora.
A subir Fico sempre mais sossegado quando o meu clube perde o campeonato das transferências. Essa competição feita nos títulos de jornais e nos comentários televisivos. Como, apesar de todos os esforços conhecidos, os campeonatos ainda se ganham a jogar à bola, os nomes só valem lá dentro. Daqui a umas semanas falamos.
A descer A pandemia afetou toda a economia e, claro está, o futebol não é exceção. Se os clubes milionários passam quase incólumes, os que precisam de vender para se equilibrarem sofrem muitíssimo. Esta crise de saúde pública que está a virar o Mundo do avesso também não podia ter chegado em pior altura para o F. C. Porto.
*Adepto do F. C. Porto
