Uma frase de minha avó era: "Aprender até morrer". Ciente disso, fui assistir à Festa de Natal da Comunidade do Monte Pedral. No convite, dizia: "Todos esperamos por ti!", e fiquei na dúvida se era por mim ou pelo Menino Jesus.
Começou com um cântico: "Preparai os caminhos do Senhor. Maranatha!" Segundo o programa distribuído, onde (como convém a um centro onde as pessoas permanecem vivas e actuantes) se explicava tudo ao pormenor, Maranatha é expressão aramaica e significa: "Vem Senhor!" Enquanto cantava, um casal de idosos colocou o Menino Jesus na manjedoura do Presépio.
E foram intercalando orações, leitura do Evangelho, homilia e benção, com momentos poéticos. O ex-aluno, poeta e escritor Nelson Ferraz leu o seu belo texto "O Sol da Escola", repleto de sentimento (e só não pôs todos a chorar, porque se ouviu mal). Da assistência (utentes do Monte Pedral, do Lar da Quinta Amarela e do Centro de Actividades Ocupacionais da APPACDM), saiu um coro de muitas vozes que ofereceu uma contribuição inesquecível e diversificada, desde "Ó rama, ó que linda rama", até ao "Ó Rosinha do meio", passando pelo "O Menino está dormindo" e outros. No decurso do programa falaram um bispo auxiliar católico e o bispo da Igreja Evangélica Metodista (quase vizinha).
E quando a festa terminou, no meio da alegria serena daquela gente, pensei: este país é melhor do que dizem certos vendilhões que por aí vegetam. Além de uma lição de humanidade no tratamento de idosos, assisti a um exemplo de pluralismo religioso. É por isto que, apesar de todos os problemas, gosto do Porto e de ser português.
(O autor escreve segundo a antiga ortografia)

