Ao lado da agricultura, da indústria e do turismo, o comércio não é politicamente importante. Todavia, mesmo se considerarmos apenas as pequenas empresas, produz muita riqueza, emprego e, além disso, é fundamental às cidades, mesmo se, olhando para algumas ruas do Porto, até as possamos imaginar com rés-do-chão vazios ou só com restaurantes e alojamento!
Se o comércio importa, há pequenas coisas que valia a pena mudar. Por exemplo, é evidente que um períodode arrendamento de 3 a 5 anos (hoje o habitual) é demasiado curto para se tirar proveito do investimento num negócio num dado lugar, face ao risco de o valor vir a ser incomportável passado tão pouco tempo. Além de prazos maiores - para quem paga até 3000 euros por 100m2 na Rua de Santa Catarina e 200m2 na Avenida Rodrigues de Freitas! -, faz muita falta a capacidade municipal de regular os usos e intervir nos vazios. Porque é muito prejudicial ao comerciante como a todos os demais que, numa rua comercial, exista interrupção de montras, por exemplo com dois grandes hotéis seguidos ou casas ao abandono. E deveriam também regular as lojas de recordações, entre outros casos...
Além disso, o programa "Porto de Tradição", dirigido a lojas históricas - ainda existe? -, devia ser ampliado. E porque não premiar as melhores intervenções de reabilitação em qualquer loja? É que nós - e os visitantes - queremos ver, viver e sentir, e isso implica cuidar do que faz cidade, designadamente o que está ao nível do olhar de quem circula a pé.

