Nas cidades, como somos muitos num espaço restrito, com necessidade (ou vontade) de viajar muito, para ir rapidamente de um lugar a outro, o melhor é recorrermos a um transporte que crie poucos conflitos. Em consequência, aposta-se em canais para autocarro, linhas de metro e de elétrico, enquanto as cidades se ligam entre si por comboio.
O automóvel, em contrapartida, desejado por cada um, deixou de ser privilegiado nas políticas públicas, também porque é pouco eficiente: ocupa demasiado espaço para as pessoas que transporta. Por isso, não é solução, senão excecionalmente, ou em espaços extensos e poucos densos, que não se desejam.
Regra geral, sobretudo nos lugares mais agradáveis, a cidade adapta-se (cada vez melhor) às velocidades lentas. Há mais sítios para se andar de bicicleta e sobretudo a pé, assim como para se estar parado: sentado ou deitado em relva, areia ou madeira, com todo o tipo de soluções de design.
O espaço adapta-se a várias velocidades e contraria-se o ruído e outras formas de poluição, assim como a "esplanadização": não pode ser obrigatório consumir para se usar confortavelmente o que é público. Esta transição, que aposta mais no andar a pé e estar sentado, sem pensar só no visitante, é muito visível em Vitória ou Pontevedra (Espanha), como Zurique ou Copenhaga, e está em curso entre nós. Conviria, claro, haver mais informação sobre as deslocações, além dos dados casa-trabalho e casa-ensino. E era bom que a circulação estivesse associada ao planeamento geral, em torno do que se deseja para o território, de preferência à escala intermunicipal. Mas, não havendo isso, porque não avançar já com coisas simples, como bancos ou cadeiras com encosto para uso público e gratuito, à sombra, nas nossas praças e jardins?
* Geógrafo e professora na Universidade do Porto

