Uma imagem em "loop" num televisor e nova polémica no futebol português. Em causa a alegada pressão denunciada por Fábio Veríssimo por ver, no balneário do Dragão, repetidas imagens de uma decisão que a maioria dos especialistas até considerou certa. E, findo o jogo, o vídeo de um torneio de miúdos, em que decidiu ao contrário num lance semelhante - a falta é por demais evidente - e validou o golo, imagine a favor de quem (Benfica) e contra quem (F. C. Porto).
Perda de pontos, derrota, logo reclamaram, via terceiros, Benfica e Sporting. As virgens ofendidas do costume pedem mil e uma sanções, esquecendo-se que fizeram bem pior num passado recente. Será que não há espelhos pelos lados da Luz e de Alvalade? Eu lembro-me das imagens, não em "loop" mas em direto, de presidentes a atirarem-se aos árbitros em túneis e junto aos balneários. E do comunicado do Benfica antes da última Supertaça, a elencar alegados erros de... Fábio Veríssimo, o juiz da final. Afinal, F. C. Porto incluído, são todos iguais.
Voltando do "loop" do Dragão, como pode um árbitro sentir-se coagido, pressionado, ou lá o que seja, por ter optado ver imagens de uma decisão correta, repito, segundo os especialistas? Sim, optado, ninguém o forçou. Quando não quero ver televisão, simplesmente não olho para lá. O que me leva a suspeitar de que não foi o "loop" que incomodou Fábio Veríssimo, mas o vídeo dos miúdos. É que ele recorda uma decisão que devia envergonhar qualquer árbitro. Mais ainda num jogo entre crianças.

