Diante do Arouca, o desenho já foi outro. Percebe-se que haja um impulso de metamorfose, ainda que nem sempre de eficácia imediata. A equipa vestiu-se de paciência e de domínio, guardou a bola como há muito não se via e ditou um ritmo próprio, com mão firme. A primeira parte até parecia trazer alguns ecos dos dias inaugurais da temporada: o Arouca quase sem toque, reduzido a espectador de um enredo que em toda a primeira parte se escrevia longe dos seus pés.
Seria difícil aguentar o ritmo e o controlo, pelo que o recomeço trouxe fractura. Num instante que parecia fazer ecoar o primeiro minuto - agora mascarado de quadragésimo sexto - o Arouca fez estremecer a trave e, com ela, a serenidade azul e branca. O sinal estava dado e o pensamento nunca mais se libertou daquela ameaça suspensa. Quando o relógio marcou os 70 e o empate se materializou, instalou-se a inquietação miúda, crescente, que corroeu a convicção. Pairaram, então, as interrogações. Uma eventual perda de pontos seria dramática para as nossas aspirações quando o mês de março se prevê tão difícil e armadilhado. O F. C. Porto fez tudo para dar a volta e o penálti é indiscutível.
A titularidade de Pietuzeswski foi coroada com um golo no primeiro minuto, prémio para um jogador que já ostentava o galardão de ser o mais jovem estrangeiro na equipa principal: o polaco é agora o mais jovem estrangeiro a marcar um golo na história do F. C. Porto. Parece haver uma equipa a renascer pela ideia de pressão que apresentou no início da temporada. Bons sinais para o que resta da Liga e para os desafios complexos nas visitas à Luz e a Braga, sem esquecer as aspirações em seguir em frente na Taça de Portugal e na Liga Europa. Tamanha ambição só é possível porque dizemos presente em todas as frentes.
*Adepto do F. C. Porto
(O autor escreve segundo a antiga ortografia)

