Saber partilhar é saber dar a conhecer o que pensamos e saber entender o que nos é dado. Foi esse o espírito que moveu os saudosos António Couto dos Santos, Miguel Macedo e Paulo Simões que nos deixaram há um ano. Participantes entusiastas do Grupo da Geração Associativa - que teve funções nas nossas Universidades e Politécnicos nos anos 80 e 90 - estes amigos muito especiais tinham como ninguém a capacidade de ajudar a construir soluções inteligentes para o futuro que aí vem, fazendo um compromisso com uma identidade que se mantém mais do que nunca atual. A sua memória é muito a memória de exemplos e referências que contam. Yes, We Remember!
Diogo Vasconcelos , outro saudoso membro desta geração desaparecido há quinze anos, defendia com muito entusiasmo que somos o que partilhamos. Esta frase é muito clara - nós somos muito aquilo que somos capazes de partilhar e ao fazê-lo estamos claramente a dar
um sinal muito positivo em relação à nossa integração numa sociedade que se quer aberta e focada no futuro. A sociedade de em que o António, o Miguel e o Paulo tanto acreditavam e em que as ideias e o conhecimento são um verdadeiro operador de modernidade e de construção dos pilares de comunidades abertas onde vale a pena estar e participar.
Esta crise que estamos a viver veio-nos obrigar a ter que saber reposicionar as nossas agendas. Este novo tempo não significa que tenhamos que deixar de partilhar ideias ou de participar no espaço público em que nos movemos. Pelo contrário. Nunca como agora foi tão importante reforçar a dimensão interpessoal das nossas relações humanas com um sentido muito claro de estar em rede e ter uma atitude positiva para aprender com os outros e partilhar com os outros a nossa visão das coisas e o conhecimento que temos e que deve ser a base de uma reflexão conjunta inteligente sobre os desafios que temos pela frente.
As organizações em que estamos são muito o que nós somos. E apesar desta nova revolução digital que está a alterar a cadeia de valor dos negócios e a agilizar a dinâmica das articulações em rede, a capacidade de antecipar o futuro é algo que continua muito a depender do sentido de oportunidade e de abertura para ser inovador e eficiente. A partilha de informação e de conhecimento deve ser um contexto e um conceito
que emerge desta capacidade natural de sermos livres e podermos contribuir com ideias para uma maior qualidade das nossas instituições e uma maior realização individual dos cidadãos. Nós somos muito o que partilhamos e nós vamos continuar a partilhar porque acreditamos no futuro e queremos fazer parte dele.
O conhecimento não se constrói por decreto. Passa por um processo colaborativo, em rede, de partilha de ideias e de informação, com o objetivo de ajudar a encontrar novas pistas de abordagem inteligente para um tempo novo que aí vem. O exemplo da geração associativa é isso mesmo - um contributo simples e prático para fazer da partilha um instrumento de construção de novas abordagens estratégicas focadas no valor, na inovação e na criatividade como enablers de distinção competitiva para uma nova agenda com sentido.
Relembrar António Couto dos Santos, Miguel Macedo, Diogo Vasconcelos e Paulo Simões é dar um sinal de confiança na construção de um futuro melhor.

