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A CAP escolheu os caçadores

A CAP escolheu os caçadores

O secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) decidiu ser a voz dos caçadores e deixar as reivindicações dos agricultores para outro plano.

Seria bom que a CAP se batesse por apoios aos agricultores, por ações de formação eficientes, pelo combate ao desperdício de recursos e por garantir a recuperação de habitats e ecossistemas agrícolas

Infelizmente, resulta claro que a CAP não tem ouvido os alertas da comunidade científica, nem os alertas dos peritos demissionários do Conselho de Acompanhamento da Revisão da Política Agrícola Comum (CAP), que ainda na semana passada alertaram precisamente para os danos da agricultura intensiva e superintensiva no ambiente e nos recursos naturais do país, bem como para os problemas associados aos investimentos espanhóis no olival intensivo no Alentejo. Fica claro que não tem ouvido os alertas recentes da FAO, que diz que "é imperativo mudar os nossos sistemas agroalimentares de forma abrangente". É pena, porque prejudicam os mesmos agricultores que deviam ajudar.

Uma mentalidade conservadora é o grande obstáculo para a transição necessária para uma agricultura moderna que tire proveito da tecnologia hoje existente. As confederações de agricultores deveriam estar na linha da frente da mitigação das alterações climáticas que vão afetar, não só o próprio setor, como esta e futuras gerações. Um estudo recente refere que oito em cada dez jovens portugueses se preocupam bastante com a crise ambiental e acreditam que "o futuro é assustador". Que respostas tem o secretário geral da CAP para estes jovens? Como irão fazer quando a água for mais escassa, quando chover menos? Será que considera que o eventual número de caçadores em Portugal é mais importante do que as preocupações de oito em cada dez jovens em Portugal? Sr. Secretário Geral da CAP, pergunte aos agricultores se acham justo que a PAC continue a financiar atividades que poluem o ambiente, as quais consomem de forma insustentável os recursos naturais, acentuam desigualdades sociais e prejudicam a saúde individual e ambiental. Certamente a resposta será "não"!

*Líder do Grupo Parlamentar do PAN

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