Opinião

Até quando?

Em 2019, um grupo de deputados foi a Castelo Branco, sendo alojado no hotel de uma deputada do Partido Socialista (PS). Os serviços da Assembleia da República justificaram dizendo que era o local mais barato.

José António Cerejo decidiu ir investigar um pouco mais sobre esse hotel, descobrindo que uns anos antes a empresa de Hortense Martins, detentora do hotel, obteve fundos comunitários destinados a projetos novos. Mas quando recebeu os fundos, o hotel já estava em pleno funcionamento havia dois anos.

Defenderam-se dizendo que faltavam umas estantes num bar, pelo que o hotel não estava concluído, o que justificaria o subsídio de centenas de milhares de euros. Esse subsídio tinha sido aprovado por uma associação de municípios, onde constavam muitos autarcas do PS, incluindo Luís Correia, o seu marido.

Mas isto piora. Esse mesmo vereador Luís Correia tornou-se presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco e fez uns negócios com uma empresa que se veio a saber ser do seu pai. Luís Correia foi suspenso de funções e desculpou-se dizendo que não sabia que a empresa era do seu pai (foi azar ter logo contratado aquela).

A deputada era administradora da empresa que recebeu fundos europeus, mas quando tudo isto se começou a saber, já como deputada, foi à Conservatória entregar um documento falsificado declarando que já não era administradora desde 2011.

O Ministério Público concluiu que tudo isto é verdade, mas deixou-a passar sem acusação a troco de uma multa de mil euros. Sim, mil euros.

A deputada que se serviu indevidamente de fundos europeus e falsificou documentos já em funções lá continua como vice-presidente da bancada parlamentar do Partido Socialista e o assunto, como muitos outros neste país, ficou esquecido.

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Há umas semanas voltou-se a falar de Hortense Martins e do PS de Castelo Branco, desta vez a propósito de uma associação criada por pessoas ligadas ao Partido Socialista local que terá recebido meio milhão de euros da Câmara Municipal de Castelo Branco sem atividade que o justificasse. A Associação é gerida por pessoas ligadas ao PS e o espaço alugado é do tio de Hortense Martins.

A descrição da vida rocambolesca do PS de Castelo Branco tirou-me grande espaço para conclusões. Deixo-as para o leitor. Do meu lado, deixo apenas uma pergunta, depois de 20 anos destas histórias: até quando?

*Economista e diretor-executivo do Instituto +Liberdade

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