Opinião

Os patridiotas

Ao longo de séculos passaram por este território a que se viria a chamar Portugal gregos, fenícios, romanos e cartagineses. Muçulmanos e judeus conviveram com cristãos muito depois da independência, deixando as suas marcas genéticas, culturais e toponímicas até aos dias de hoje.

Quando as visitas se tornaram menos frequentes, foi a vez de os portugueses irem pelo Mundo fora. Trocaram mercadorias e fluidos com pessoas de todas as cores e nacionalidades, aumentando a diversidade na pigmentação da pele portuguesa, importando e exportando marcas genéticas e culturais.

O português é branco, preto, cigano, asiático e indiano. É timorense, goense, macaense, moçambicano e japonês. A emigração para a Europa dos últimos 70 anos, assim como os filhos do programa Erasmus, irão acrescentar ainda mais cor a esta mistura nos próximos séculos. Todos celebraram o golo do Éder e criticam os políticos corruptos em uníssono. Às palavras de origem latina, grega, francesa e árabe, juntar-se-ão nos próximos tempos mais anglicismos que apesar da resistência dos puristas da língua virão para ficar como vieram antes outras influências da moda.

Ser patriota é abraçar aquilo que a pátria é: multirracial com uma cultura ímpar que é na verdade uma fusão de culturas numa mistura única de pigmentação, tradições, sabores e toponímia. É isso que define a nossa pátria. É esta mistura especial que faz com que pessoas que vivem fora do país sintam vontade de voltar, mesmo sabendo que não têm as mesmas oportunidades por cá. Quem não aprecia aquilo que a pátria é pode-se dizer nacionalista ou supremacista, mas nunca se poderá verdadeiramente dizer patriota.

Há quem se proclame patriota, mas odeie a palete de cores da pátria. A pátria que admiram é uma pátria que nunca foi, que só existe nas suas mentes supremacistas e preconceituosas. No fundo dizem-se patriotas, mas odeiam a pátria porque rejeitam a sua essência. Passariam por norte-africanos em qualquer país escandinavo, mas dizem-se orgulhosamente brancos. Não são brancos, são pálidos de espírito e inteligência. Dizem-se patriotas, mas não passam de patridiotas.

*Economista e diretor-executivo do Instituto +Liberdade

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