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Pagar favores com dinheiro dos contribuintes

Pagar favores com dinheiro dos contribuintes

O Governo decidiu atribuir a Pedro Adão e Silva, comentador que muito elogiou governos liderados pelo PS, a tarefa de ao longo de cinco anos organizar as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril com uma remuneração alta para os níveis portugueses e uma equipa quase ministerial.

Aquilo que parece é que o PS resolveu premiar um dos mais fiéis comentadores com um cargo bem remunerado, usando para isso o dinheiro dos contribuintes. Argumentam que foi escolhido pela sua qualidade, mas como não houve nenhum concurso público nem foram explicitados os critérios de qualidade que ditaram a nomeação, é normal pensar-se que na verdade a nomeação é aquilo que parece.

Recompensar aliados políticos na imprensa usando dinheiro dos contribuintes não é novo nem exclusivo do PS (o Chega, assim que elegeu um deputado, premiou a jornalista que mais cobertura positiva lhe tinha dado com um cargo na Assembleia da República). Independentemente da ideologia de cada um, é consensual a imoralidade de utilizar dinheiro dos contribuintes para pagar favores a partidos políticos.

Mas há uma consequência nestas ações que vai para além da moralidade na utilização do dinheiro dos contribuintes. Ao premiar colunistas e jornalistas que fazem passar uma imagem positiva de políticos, está-se a condicionar a ação de todos os jornalistas e colunistas. Ao premiar quem elogia, o Governo sabe que está a incentivar outros a fazer o mesmo, para que um dia possam ser eles os premiados. Mas mesmo quem não aspira a ser premiado acabará condicionado porque receará que quem abdica da moral para premiar quem elogia também abdicará para castigar quem critica.

O pior de toda esta dinâmica é a onda de desconfiança que cria em relação a todos os que produzem notícias e opinião, incluindo aqueles que o fazem de forma livre, imparcial e profissional. O manto de suspeita que lança sobre toda a comunicação social, jornalistas e comentadores, deveria fazer com que fosse a própria comunicação social a primeira a distanciar-se destes casos, a autorregular-se e evitar ter entre si pessoas capazes de aceitar presentes deste tipo.

*Economista e diretor-executivo do Instituto +Liberdade

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