Carvalho da Silva

Só depois da Alemanha decidir

A discussão sobre o futuro do euro e da União Europeia (UE) tinha de ficar para depois das eleições alemãs. Antes disso nada feito. Assim pensavam e diziam, quer o primeiro-ministro português, quer o presidente francês. Acontece que das eleições alemãs resultou uma perda substancial de votos e de deputados dos partidos da anterior coligação - com forte queda da força política de Merkel - e uma subida da extrema-direita, que teve entrada de rompante no parlamento, bem como do Partido Liberal.

Carvalho da Silva

Feridas por sarar

O Observatório sobre Crises e Alternativas, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, empreendeu um estudo coletivo e interdisciplinar sobre trabalho e políticas de emprego que procura cobrir os variados ângulos das políticas públicas nestes domínios em Portugal. Este trabalho, publicado em livro, inscreve-se numa tradição de economia política que tem sido uma das marcas do Observatório. Procura-se nesta obra, não só proceder a uma detalhada análise dos processos socioeconómicos que têm atravessado o nosso país, mas também oferecer propostas e pistas de ação alternativas que sirvam de contraponto ao discurso dominante. Trata-se de uma análise sobre os antecedentes da crise, sobre os impactos concretos no seu período crítico com a imposição das políticas do (e para além do) "Memorando", e sobre os danos causados que se projetam no tempo.

Carvalho da Silva

Produtividade e salários

Não é difícil adivinhar que o debate em torno do Orçamento do Estado será bastante constrangido pelo peso da dívida e pelo espartilho das regras orçamentais da União Europeia (UE), que restringem a capacidade de recuperação do investimento e a implementação de serviços públicos de qualidade. Tal constatação desafia o Governo a procurar argumentos e propostas que se distanciem dos fundamentalismos da UE. Por outro lado, confirma a necessidade de tornar a questão da dívida num tema constante da agenda política. Em Portugal ele deve ser persistentemente estudado e polemizado de forma dinâmica e ativa.

Carvalho da Silva

Tiros na democracia

No último ano, assistimos a um certo enfoque mediático e político no tema do futuro do trabalho, sem dúvida de crucial importância para a democracia. Embora a OIT tenha uma agenda com interesse sobre o tema, a discussão foi introduzida carregada de enviesamentos, fruto do crescente desequilíbrio nas relações de poder entre o trabalho e o capital, provocado por fatores diversos, que vão desde a financeirização da economia, à progressiva organização subversiva de estruturas empresariais ou às alterações regressivas na legislação do trabalho em muitos países, como foi o caso de Portugal. Mas, na determinação do futuro do trabalho, as questões políticas podem vir a mostrar-se mais determinantes do que as tecnológicas, hoje tão em voga graças aos impactos da robotização e da inteligência artificial, quer no plano externo quer no nacional.

Carvalho da Silva

Venham lufadas de ar fresco

Vamos caminhando para o fim de um verão carregado de tragédias e ventos estiolantes. Diversificados descuidos humanos, a persistência em políticas centradas em objetivos de lucro ou ganhos políticos imediatos, o abandono de valores democráticos na organização da sociedade e do trabalho em contínuas cedências ao neoliberalismo, são as causas fundamentais do duro sofrimento que os povos (incluindo o português) experimentam neste delicado período histórico que vivemos.