Imagens

Últimas

Carvalho da Silva

Efeitos bumerangue

Quando a troika, municiada por cabeças neoliberais do nosso burgo, concebeu um "ajustamento" que assentava na desvalorização do trabalho como terapia que permitiria reduzir os custos de produção e os preços das exportações, propiciando às empresas ganhos de competitividade nos mercados internacionais, muitos patrões (e não só) ter-se-ão regozijado: pensaram que escapavam da crise por entre os pingos da chuva e consolidavam uma política de baixos salários.

Carvalho da Silva

Roturas e continuidades

A composição e características do conjunto dos ministros do novo Governo e as explicações acerca da sua estrutura e objetivos, expandidas até agora pelo indigitado primeiro-ministro (PM), confirmam três ideias fundamentais: i) o Partido Socialista (PS) utiliza o seu reforço para dar uma guinada ao centro; ii) observam-se mais alterações de forma que de conteúdo na estrutura do Governo, apesar de umas pinceladas de modernidade simpática na designação de alguns ministérios; iii) surgem indicadores de que a este Governo está reservada uma missão de combates de curto prazo, que não serão apenas o da presidência da União Europeia em 2020, mas ainda outros que, por agora, estão apenas na cabeça do PM.

Carvalho da Silva

Santa Comba e o bom senso

Andou muito bem a Assembleia da República (AR) ao aprovar, no passado dia 11, o voto de condenação "Da criação de um "museu" dedicado a Salazar em Santa Comba Dão", apresentado pelo Partido Comunista Português. Há que desmontar os clamores contra a Esquerda "proibicionista" e denunciar as tentativas de "normalização" pretensamente neutra, na avaliação da sociedade sobre as figuras da nossa história. É criminoso colocar no mesmo plano quem espezinhou a democracia, as liberdades e valores do progresso e quem, com enorme sacrifício, por vezes da própria vida, os defendeu.

Carvalho da Silva

A greve em curso e o futuro

Os motoristas do transporte de matérias perigosas merecem solidariedade por razões bem objetivas: i) ficou comprovado que são injustas as condições de remuneração e de trabalho que lhes foram impostas, bem como à generalidade dos trabalhadores do setor, ao longo de muitos anos; ii) é preciso encontrar uma saída justa que lhes assegure dignidade e salvaguarde a sua confiança nas lutas laborais para melhoria das suas vidas pessoais e familiares e para o desenvolvimento do país - o sindicalismo teve (e continuará a ter) vitórias e derrotas, mas não poucas vezes transformou desaires imediatos em êxitos futuros; iii) a razão não está do lado dos patrões, apesar de muitos pequenos empresários estarem esmagados pelas condições que lhes são impostas pelo poder de mercado do cartel das petrolíferas, entidade que devia estar a ser confrontada, mas se distanciou com a subcontratação da distribuição; iv) no rescaldo deste processo importa que passe para a ordem do dia o debate sobre como melhorar as condições de vida e de trabalho da generalidade dos trabalhadores que laboram neste país e se trave o ataque antilaboral em curso.

Carvalho da Silva

Inspeção do Trabalho no futuro

A propósito da possível greve dos motoristas continuaremos debaixo de um bombardeamento com a tese de que há contradições insanáveis entre a legislação laboral e a racionalidade económica, como se as opções económicas ao nível da governação de um país, de setores de atividade e de empresas não tivessem de considerar a sustentação das obrigações sociais no geral e, em particular, as inerentes à garantia de emprego digno, de salários justos e de corretas contribuições para a Segurança Social.

Carvalho da Silva

O estado da vida

Assistimos esta semana a uma discussão vazia sobre o "estado da nação", quando tanto precisamos de análises sérias sobre os problemas muito concretos que marcam a vida dos portugueses e portuguesas e de propostas simples para a sua resolução. Diz-se que este tipo de discussão é natural em período de campanha eleitoral. Digo não a esse argumento. Primeiro, porque todos os debates regulares sobre a situação do país devem ser rigorosos. Segundo, a campanha eleitoral para as eleições de outubro não deve ser vazia de respostas objetivas, pois isso esvaziará a democracia e afastará as pessoas do ato do dever de votar.

Carvalho da Silva

Horas extra muito mal pagas

O trabalho suplementar vem sendo injustamente pago. O último caderno do Observatório sobre Crises e Alternativas analisa os sucessivos dispositivos legais que, desde a segunda metade do século XX e, de forma mais contundente, desde a primeira década do século XXI, procuraram flexibilizar a noção de tempo normal de trabalho. Entre esses dispositivos estão a criação de regimes de adaptabilidade e de banco de horas que, por força de várias alterações, se tornaram quase obrigatórios.