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Carvalho da Silva

Não voltar à cepa torta

A pandemia expôs o enviesamento da especialização produtiva da economia portuguesa. A tónica na exportação de serviços de baixo valor acrescentado, desde logo o turismo e setores conexos, em detrimento da produção industrial que tende a aumentar a produtividade e a qualificar e estabilizar o emprego, revela-se cruamente como perigosa vulnerabilidade estrutural. Todavia, o coro de reclamações feitas por empresários, em torno do Plano de Recuperação e Resiliência, e algumas opções erráticas do Governo, sugerem a ânsia do regresso a essa velha normalidade.

Carvalho da Silva

O trabalho remoto tem de ser digno

O designado trabalho remoto, que a Organização Internacional do Trabalho define, ainda não de forma convencional, como "trabalho prestado à distância, fora da estrutura organizativa física do empregador, na qual o trabalhador se encontra privado do contacto físico com os colegas, por prestar serviço através de novas tecnologias que facilitam esse contacto remoto", inclui o teletrabalho e outras formas de organização do trabalho à distância (a chamada "economia colaborativa"), com realce para as plataformas digitais.

Carvalho da Silva

Política para além do voto

O cenário político que vivemos é marcado por um movimento tectónico de perigoso deslize para a Direita. A Direita acelera o distanciamento do presidente da República (PR), embora este não se canse de dizer que está na sua posição de sempre, a "direita social": é atraída pela perspetiva de alcançar o poder alavancada pela extrema- -direita. O Partido Socialista parece contentar-se em estacionar na dita direita social do PR. Neste deslizar, não falta quem catalogue de extrema-esquerda o Bloco de Esquerda, cujo programa e ação são de socialismo moderado, e atribua o mesmo rótulo ao Partido Comunista, um partido reforçadamente institucional e focado na reclamação, necessária para a democracia, do cumprimento da Constituição da República.

Carvalho da Silva

Da penitência à exceção

A receitas impostas pela troika e pelo Governo PSD/CDS, com o pretenso objetivo de resolver a anterior crise, consideraram o povo português infetado pelo vírus do aburguesamento: vivia preguiçosamente à custa do alheio. Assim, tinha de remir o pecado penitenciando-se com elevado desemprego, encerramento de milhares de pequenas empresas, redução de salários e proteção social, perda de direitos laborais, piores serviços públicos em áreas primordiais e pobreza. Os jovens foram convidados a "sair da sua zona de conforto" e a emigrar. A propaganda levou muitos portugueses a submeterem-se a essas penitências sem grande reação.

Carvalho da Silva

O que vale estudar nos computadores

Na passada quinta-feira, quando participava na conferência "As plataformas digitais e o futuro do trabalho", organizado pelo CoLABOR, com apoio do escritório de Lisboa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), veio-me à memória parte da letra daquela bela canção "O postal dos Correios" do Rio Grande, da autoria de João Monge e tão bem interpretada, em 1996, por Rui Veloso e Tim: "A Laurinda faz vestidos por medida, O rapaz estuda nos computadores,