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Cátia Domingues

Quanto mais quente melhor, o tanas!

Quem é que também está sem conseguir dormir há mais de uma semana por causa do calor? Têm sido dias complicados, especialmente porque a maioria de nós está a dormir só de cuecas e eu tenho visto muitos de vocês à janela de mamilo à mostra. Passo os dias a pesquisar dicas e truques na internet para combater o calor numa casa sem ar condicionado e vou partilhar algumas com vocês: fechar os estores durante o dia, colocar toalhas molhadas nas janelas para esfriar o ar que vem de fora e treinar a apneia para conseguir dormir as oito horas debaixo do duche frio. Se no inverno a minha casa tem a temperatura perfeita para conseguir congelar uma cuvete de perninhas de frango, no verão consigo assá-las no chão da sala. Eu já fui ao deserto do Saara e digo-vos: não me custou tanto como ir pôr o lixo à rua ultimamente. Ninguém me tira da ideia que a construção das casas em Portugal apresenta menos qualidade que casinhas feitas por legos por crianças do 1.º Ciclo. Para terem uma ideia, o meu carro é o local com mais qualidade de vida atualmente. Estou até a pensar em submetê-lo no Airbnb como T0 em bairro histórico com ar condicionado e boa capacidade de arrumação. E se esta altura do ano também entusiasmava pelas aventuras próprias da época, agora as temperaturas também vêm estragar todo o conceito de romance de verão, porque ninguém aguenta fazer conchinha numa tenda de corpo e meio.

Cátia Domingues

SOS para o SNS

A natalidade sempre foi um tema em Portugal e na pandemia os números voltaram a cair. Se antigamente havia mais filhos porque não havia televisão, podemos dizer que no confinamento houve televisão a mais. E videojogos. E ioga na sala. E pão caseiro que ficava tão apetitoso como uma sande mista feita com câmara de ar de bicicleta. Tudo isto é capaz de ter traumatizado alguns pais que até estavam a pensar em ter mais um, mas tiveram de ficar com os filhos em casa, ao mesmo tempo que estavam os dois em teletrabalho num T2 sem logradouro. A natalidade pode ter descido, mas o número de divórcios aumentou consideravelmente: mau para a sustentabilidade da Segurança Social, mas bom para a pequenada que de repente vai ter dois natais.

Cátia Domingues

O sonho português

Chega o verão e começa aquela altura do ano em que começamos a ouvir sotaques do estrangeiro, em todos os cantos deste pequeno país. No entanto, tenho reparado que, para além do clássico "vien ici, João Rafael! Sai do mar e vien manger um bocadinho de tripas à moda do Porto, s"il vous plait!", se ouve cada vez mais inglês dos filmes. Parece que, no último ano, foi registado um aumento de 45% de novos residentes americanos em Portugal. Mais uma vez, os americanos invadem um país essencialmente pelos seus recursos naturais. Neste caso, peixinho fresco e sol durante quase todo o ano.

Cátia Domingues

Aviso: a linguagem poderá chocar alguns leitores

Lembram-se quando, durante a pandemia, estivemos todos fechados em casa sem saber muito bem quando é que iríamos poder regressar à nossa vida normal e assistíamos na televisão e nas redes sociais sobre o quão bom tudo isto iria ser para a comunidade mundial? Que iríamos aproveitar para dar valor às coisas mais simples e que sairíamos mais unidos que nunca? Pois é. Parece que não demoramos muito até pegarmos na viola do Kumbaya e começamos a bater com ela nas costas daquele tipo que demora a arrancar nos semáforos.