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Cátia Domingues

Cheias de desGraça

O país é mais uma das vítimas das consequências da pandemia. É verdade. Portugal tem sido afetado por várias depressões e parece que amanhã, segunda-feira, se prevê mais uma sequência delas. Têm sido semanas meteorologicamente complicadas para muitas regiões, algumas das quais também têm sido castigadas pela seca que se vive nos últimos anos. E eu consigo perceber bem isso, porque passo o mesmo com a minha torneira do duche: ora está demasiado quente, ora é um frio que não se aguenta. Voltaram a mandar-nos ficar em casa e só não voltamos a colocar arco-íris nas janelas porque com a água, a fita-cola não adere tanto.

Cátia Domingues

Marcelice Universo

Depois de José Saramago na Literatura e de Egas Moniz na Medicina, Portugal tem-se tornado um sério candidato ao Nobel, desta vez o da Paz. Marcelo Rebelo de Sousa fez finalmente, na quinta-feira, linha no bingo do ativismo e diz que lá, na ONU, já o chamam de MarceLala. Não levou um tiro na cara pelo ensino feminino em território controlado por talibãs como a Malala, mas tem dado tiros nos próprios pés, e também aleija. Marcelo tem sido como o homem de Tiananmen, mas em vez de enfrentar sozinho um tanque de guerra para não o deixar passar, Marcelo, assim que vê um microfone, não o deixa ir a lado nenhum sem antes dar uma palavrinha sobre injustiças no Mundo. As próprias misses universo estão agora a rever os seus discursos, porque a fasquia está demasiado elevada. Aliás, quando, no jogo de Portugal com o Uruguai, interrompem a partida porque um indivíduo se lançou no campo com a bandeira LGBTQIA+ na mão, uma t-shirt em que na frente apoiava a Ucrânia e nas costas apoiava as mulheres no Irão, e ainda o continente africano tatuado na perna, pensei: "Este Marcelo, quando tem uma coisa na cabeça, ninguém o pára".

Cátia Domingues

Período do nojo

Vamos começar com um jogo. Se eu vos der três comentários nas redes sociais, vocês conseguem adivinhar o tema da crónica? Concentrem-se. Aqui vai: "Com a falta de natalidade, esta medida vai provocar menos natalidade ainda!"; "É para tapar buracos ou para abrir outro buraco?"; "E vinho, não??". Exatamente! É feedback de cidadãos responsáveis à proposta do PAN que vai permitir que, em 2023, produtos de higiene menstrual sejam distribuídos gratuitamente a mulheres desfavorecidas.

Cátia Domingues

Isto só Visto

Esta semana, entrou em vigor o visto para nómadas. Não, não estou a falar de ciganos. Estou a falar de juventude que trabalha pela Internet. Malta que vive em coliving, uma grande parte dedica-se a feiras de tecnologia e passa a vida a fazer puxadas, neste caso em qualquer lado onde dê para carregar o computador. E, como minoria nómada, os casos de preconceito contra esta comunidade começam a aumentar e já chegou a haver um ou outro incidente num café com acesso à Internet. É que podem não viver do subsídio, mas também pedir um abatanado e ficar acampado numa mesa o dia inteiro não dá com nada.

Cátia Domingues

O sétimo mantimento

Esta semana, viralizou a imagem de latas de atum com alarme na prateleira de um supermercado. De repente, se houvesse globo de ouro revelação para produtos de retalho, o atum ganhava fácil. A par do papel higiénico, o enlatado foi um "must have" do confinamento, e com a guerra na Ucrânia, por conter peixe e óleo, tornou-se um produto de luxo. Para quê investir o dinheiro em certificados de aforro, quando podemos comprar meia dúzia de latas que ainda dão para forrar o estômago.

Cátia Domingues

Fechado para férias. Abre em setembro

Hoje é o melhor dia para casar sem sofrer nenhum desgosto, e vocês aqui. Quer dizer, espero que não estejam a ler isto enquanto esperam uma noiva no altar, até porque é capaz de haver uma ou outra notícia sobre a inflação e depois dão por vocês a pensar no balúrdio que vos vai custar o dia de hoje e quebra-se um bocado o ambiente. Se estão a ler isto e são convidados no casamento, esperem até ao tiro de partida para a mesa dos queijos e da cascata de camarão para encher o jornal de nódoas ou então aguardem até estar de gravata na cabeça ao som do "apita o comboio", porque é capaz de esta página ter mais graça.

Cátia Domingues

Quanto mais quente melhor, o tanas!

Quem é que também está sem conseguir dormir há mais de uma semana por causa do calor? Têm sido dias complicados, especialmente porque a maioria de nós está a dormir só de cuecas e eu tenho visto muitos de vocês à janela de mamilo à mostra. Passo os dias a pesquisar dicas e truques na internet para combater o calor numa casa sem ar condicionado e vou partilhar algumas com vocês: fechar os estores durante o dia, colocar toalhas molhadas nas janelas para esfriar o ar que vem de fora e treinar a apneia para conseguir dormir as oito horas debaixo do duche frio. Se no inverno a minha casa tem a temperatura perfeita para conseguir congelar uma cuvete de perninhas de frango, no verão consigo assá-las no chão da sala. Eu já fui ao deserto do Saara e digo-vos: não me custou tanto como ir pôr o lixo à rua ultimamente. Ninguém me tira da ideia que a construção das casas em Portugal apresenta menos qualidade que casinhas feitas por legos por crianças do 1.º Ciclo. Para terem uma ideia, o meu carro é o local com mais qualidade de vida atualmente. Estou até a pensar em submetê-lo no Airbnb como T0 em bairro histórico com ar condicionado e boa capacidade de arrumação. E se esta altura do ano também entusiasmava pelas aventuras próprias da época, agora as temperaturas também vêm estragar todo o conceito de romance de verão, porque ninguém aguenta fazer conchinha numa tenda de corpo e meio.

Cátia Domingues

SOS para o SNS

A natalidade sempre foi um tema em Portugal e na pandemia os números voltaram a cair. Se antigamente havia mais filhos porque não havia televisão, podemos dizer que no confinamento houve televisão a mais. E videojogos. E ioga na sala. E pão caseiro que ficava tão apetitoso como uma sande mista feita com câmara de ar de bicicleta. Tudo isto é capaz de ter traumatizado alguns pais que até estavam a pensar em ter mais um, mas tiveram de ficar com os filhos em casa, ao mesmo tempo que estavam os dois em teletrabalho num T2 sem logradouro. A natalidade pode ter descido, mas o número de divórcios aumentou consideravelmente: mau para a sustentabilidade da Segurança Social, mas bom para a pequenada que de repente vai ter dois natais.