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A agricultura, senhor primeiro-ministro

A agricultura, senhor primeiro-ministro

Exmo sr. primeiro ministro, dr. António Costa, Na reta final da campanha presidencial, um candidato foi interpelado por um cidadão, que lhe perguntou: "O que vai fazer pela agricultura?". Fiquei perplexo com o embaraço do candidato. Meteu os pés pelas mãos, não soube articular uma ideia precisa, mesmo sendo uma eurodeputada que devia saber de cor e salteado os apoios comunitários (PDR 2020) para a agricultura.

Aproveito a mesma pergunta para a dirigir a si, que tem o efetivo poder de determinar o rumo da nossa economia: "O que vai fazer pela agricultura?". A escolha de Capoulas dos Santos para liderar a pasta parece-me acertada.

É um político com provas dadas, que conhece bem o setor. Mas os primeiros sinais fazem temer o pior. A agricultura foi, nos últimos anos, um dos pilares da nossa depauperada economia, verdadeiro amortecedor social. Este setor não deve ser transformado em arma de arremesso da luta partidária. Os empresários agrícolas assumiram compromissos, investiram em inovação e modernização, criaram esperança para o desenvolvimento do interior, criaram valor acrescentado e potenciaram as exportações em novos mercados.

Novas fileiras apareceram com grande dinamismo, como os pequenos frutos e os frutos secos. A agricultura deixou de ser o parente pobre da economia nacional para ser uma estrela de primeira grandeza. Não podemos regredir. A agricultura vai representar mais de 2 mil milhões de euros em exportações em 2020.

Por isso lhe lanço este apelo, senhor primeiro-ministro: Não permita que a ditadura das Finanças imponha as suas regras em prejuízo da economia real. A agricultura tem de ser uma prioridade política. Mande colocar no OE 2016 os mais de euro200 milhões que são precisos para aprovar e pagar atempadamente as ajudas públicas. Em Espanha, está a investir-se como nunca no setor agrícola e agroindustrial.

Não podemos ficar para trás. Não pode haver dinheiro para a economia financeira, virtual e especulativa, e não existir para a economia real, que cria emprego e coesão social. Estou certo de que a sua governação não desiludirá os agentes agrícolas.

* EMPRESÁRIO E CONSULTOR AGRÍCOLA

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