Muito se fala dos desequilíbrios territoriais em Portugal, mas nenhum é mais gritante do que a diferença de desenvolvimento entre os Açores e o resto do país. Um dos territórios mais bonitos de Portugal, com uma localização geoestratégica singular, um setor agropecuário que representa 30% da produção do leite nacional e 50% do queijo, é simultaneamente a sua região mais pobre e socialmente mais deficitária. Não se compreende. O tema merece uma atenção especial e a busca de soluções efetivas. Mas antes vamos à causa. Falo do défice de autonomia. A autonomia da Região relativamente à República, que viu a sua subserviência agudizada pela coincidência monocromática entre os dois governos. Mas principalmente a autonomia dos Açores e dos açorianos em relação ao seu Governo Regional. Este défice de verdadeira democracia, esta realidade do controlo económico, da dependência do Estado e da difusa separação entre Governo Regional, Partido Socialista e, inevitavelmente, a linha Carlos César, leva-nos a que tenhamos uns Açores a andar devagarinho.
Temos hoje uns Açores com muito e mau Estado e acima de tudo com Partido Socialista a mais na vida dos cidadãos. Neste estado da arte, terão os Açores futuro? Claro que sim, os Açores têm os açorianos, dos portugueses de espírito mais resiliente e corajoso.
São homens e mulheres que só precisam de mais liberdade, e de um Estado que os deixe sonhar. Vejamos que bastou o Estado sair um bocadinho de cena, deixando que o espaço aéreo regional fosse liberalizado e rapidamente o espírito de iniciativa dos açorianos aproveitou o novo fluxo de turistas, agarrou a oportunidade, criou empregos e prosperidade. Os Açores precisam de mudar de políticas e de protagonistas. Os Açores precisam de mudar de vida. E têm agora uma excelente oportunidade com o José Manuel Bolieiro. Sim, é possível mudar, sobretudo para melhor. Os açorianos bem o merecem.
*Engenheiro e autarca do PSD
