Opinião

Alojamento estudantil: solução passa pelas autarquias

Alojamento estudantil: solução passa pelas autarquias

Passadas que estão as eleições autárquicas, sempre férteis em promessas e manifestações de intenção pouco compagináveis com a realidade, é tempo de voltar a encarar, com rigor e pragmatismo, os problemas reais do país.

Um desses problemas resulta, paradoxalmente, da recuperação económica e, em concreto, da retoma da atividade turística. Como o passado recente nos mostrou, o crescimento do turismo nas grandes cidades aquece o mercado imobiliário e faz disparar o preço da habitação.

Por isso, no arranque do novo ano letivo, preparamo-nos para reviver um problema cadente no pré-pandemia: a falta de alojamento a preços comportáveis para os estudantes do Ensino Superior.

O cenário é agravado, neste ano letivo, pelo previsível crescimento dos estudantes que ingressam no Ensino Superior, uma vez que o número de candidatos no concurso de acesso foi dos mais elevados de sempre e, para atender a este acréscimo, foram abertas mais vagas nos cursos.

Acresce que muitos dos novos estudantes vêm de meios economicamente desfavorecidos, pois a democratização do acesso ao Ensino Superior, num contexto de retração da natalidade, trouxe (e bem) maior diversidade social a universidade e politécnicos. Mais: muitas famílias viram os seus rendimentos diminuírem com a crise sanitária, tendo hoje menor disponibilidade financeira para custear os estudos superiores dos filhos.

Considerando tudo isto, é expectável que muitos estudantes deslocados sintam sérias dificuldades para encontrar alojamento digno e a preço justo, agravando-se assim o risco de abandono e insucesso escolar no Ensino Superior.

Como as residências universitárias não se constroem da noite para o dia, nem podem receber todos os estudantes sem alojamento, a solução passa por uma política concertada, desde logo com as autarquias, para a dinamização do mercado de arrendamento a custos controlados.

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Sem programas municipais de habitação a rendas acessíveis, dificilmente a estratégia de massificação do Ensino Superior será concretizada, impedindo o país de vencer o défice de qualificações que tolhe o seu desenvolvimento humano e material.

*Reitor da Universidade do Porto

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