O ano que terminou ficou marcado por um despertar coletivo para os problemas do sistema de segurança interna.
O ano em que não foi mais possível esconder que a PSP perdeu totalmente a capacidade de atrair e recrutar novos polícias (que nem o aliviar das exigências disfarçou).
O ano em que a dignidade da pessoa humana assumiu igualmente uma preocupação coletiva, mas não fomos capazes de melhorar e alargar a formação dos novos polícias, bem pelo contrário, o objetivo foi formar o mais rapidamente possível.
O ano em que, fruto, ou não, da polémica extinção do SEF, designadamente quanto às soluções encontradas, se tomou consciência dos desperdícios que um modelo composto por uma profusão infindável de órgãos de polícia criminal (mais de 20), profusão de escolas de formação e de duplicações de competências.
A obsessão em desprestigiar as Forças de Segurança (PSP e GNR), empurrando-as para "polícias de 2.a", já é de tal forma indisfarçável que ninguém consegue compreender o racional da solução apresentada para a extinção do SEF.
Alguém consegue compreender, porque já nem nos atrevemos a pensar que seja possível explicar, que os profissionais do SEF sejam todos integrados na PJ para depois prestarem serviço na PSP e GNR?
Alguém consegue compreender que, perante a importância dos riscos dos fluxos migratórios, os profissionais com mais experiência nesta área (e sem qualquer experiência de investigação criminal) sejam integrados na PJ?
Certamente ninguém compreenderá.
Muito menos ainda quando o único objetivo é manter a política de ordenados baixos na PSP e GNR e, a troco de poupar uns tostões, a classe política brinca com coisas sérias que podem custar milhões.
*Presidente do SNCC/PSP
