Começo por admitir, embora seja formado em Economia e História, a minha grande paixão é e sempre será a música, as pistas de dança e o convívio noturno, de tal forma que por opção trabalho nesta área tão fragilizada das chamadas artes do espetáculo. É, portanto, com enorme tristeza que venho aqui questionar o bom senso do nosso estado. Perante as decisões do conselho de ministros de ontem, a reação de todos os trabalhadores da noite foi a de total perplexidade. Vejamos, o estado começou por nos encerrar durante um ano sem apoios, sim, aquela história de nos deixar operar como cafés foi um delírio camuflado de esmola no autêntico cataclismo a que ficamos sujeitos. Depois, condenou-nos a uma longa espera até atingirmos o nível de vacinação que determinaram como sendo de bom senso, perdemos o verão (ao contrário de outros países neste continente) e reabrimos no fim de semana das eleições autárquicas. Depois, veio a exigência que verificássemos o estado de vacinação dos nossos clientes, já por si só duvidoso do ponto de vista constitucional e/ou lógico, isto serviu para antagonizar as pessoas e passar a impressão que na noite impera um perigo latente de contágio. Tivemos menos de 60 dias (7 fins de semana) até que iniciou novo festival, um anúncio de que seria preciso teste e, pasmem-se, máscara na pista! Algo que - deve ter sido por bom senso - a DGS esclareceu (a 15 minutos da meia-noite desse dia) afinal não ser necessário. Seguiram-se duas semanas de desalento e casas vazias, e eis que agora, mais uma novidade, somos encerrados por decreto com 4 dias de antecipação. Sem medidas de apoio anunciadas, nem maneira de colmatar as enormes perdas que vão resultar do encerramento em duas datas fundamentais, que asseguram a sustentabilidade das casas no inverno. O que isto significa é que o estado assume que a vacinação de nada serve e os testes em que gasta fortunas ainda menos, ou parte dum princípio de má-fé e identifica-nos como um perigo para a sociedade, apesar de termos cumprido escrupulosamente, com as árduas exigências que nos fizeram. Aquilo que pergunto é, onde jaz o mínimo esforço para proteger postos de trabalho? O que vai acontecer aos clientes destes espaços insonorizados e preparados para festas? acham que não vão para a rua e para os jardins? acham que não vão provocar os famosos desacatos noturnos que motivam protestos em assembleias municipais e absurdas conferencias de imprensa com parafernália musical apreendida? Apelo as autoridades que recuem neste proibicionismo cego se querem evitar a ruína de milhares de trabalhadores pelo país fora, e a clandestinidade e anarquia nos centros urbanos, é uma questão de bom senso.
DJ
