Opinião

Centros de tratamento ou pontos de contágio?

Centros de tratamento ou pontos de contágio?

O caso do coronavírus 2019-nCoV é um exemplo paradigmático do excesso de zelo da Comunicação Social em contraponto com o desleixo das autoridades.

A sociedade observa amedrontada esta balança que faz pender o prato mediante o emissor da mensagem. A passividade conformista de uns, esbate o alarmismo dos outros mas, diz o povo, "nem tanto ao mar, nem tanto à terra".

Este vírus não é tão dramático como nos querem fazer crer, nem estamos tão bem preparados para o recebermos como nos dizem.

Segundo dados da Worldometers, o coronavírus de 2019 tem uma taxa de mortalidade de 2,26%. Comparando à gripe sazonal não são dados que nos devam preocupar de sobremaneira. Porém, a questão que se coloca é a velocidade de contágio e potenciais mutações que o vírus possa vir a sofrer, dados que ainda não temos para conseguirmos fazer uma análise plural.

A única barreira entre uma doença e uma pandemia é o contágio. Por mais apelos que possam ser feitos à população, a pessoa em sofrimento e desespero acorrerá sempre a quem lhe pode valer, ou seja, os hospitais.

Os nossos profissionais, apesar de serem dos mais bem preparados do Mundo, trabalham num SNS depauperado e apostado num "se Deus quiser". Faltam máscaras P2 e P3 assim como óculos de proteção. A DGS teorizou a resposta ideal, mas falta a instituição prática das diretrizes. A saúde quando planeada e bem-sucedida, é preventiva e não reativa. Urge alterar comportamentos e, com pequenas mudanças, conseguiremos ganhos em saúde e diminuição de gastos.

Não estamos minimamente preparados para o que aí vem, mas podemos ter a certeza que cá chegará. O que teremos de decidir até lá, é se os hospitais serão centros de tratamento ou pontos de contaminação.

* Presidente da SRN da Ordem dos Enfermeiros

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