No decorrer do período letivo transato, saltou para a discussão pública o "plano de combate à retenção no Ensino Básico", associado por alguns a "passagens administrativas", levando o ME a dar as explicações que se impunham à comissão parlamentar.
Porventura pelo tumulto gerado em torno desta medida, o plano não foi incluído no OE2020, adiando-se a aplicação para o próximo ano (letivo? civil?).
Antecipa-se o intento do ME em anular a repetição das disciplinas às quais o aluno retido obteve aprovação, até pela injustiça e desmotivação que convoca, ademais de contrariar os objetivos inerentes à aprendizagem.
E, ainda que a taxa do sucesso escolar se encontre em níveis satisfatórios, reclama a sua subida, com preocupação idêntica para o valor da taxa de abandono escolar, que, de facto, nos deve envergonhar.
Posto isto, perspetivo duas prerrogativas de que depende a concretização deste grande objetivo que consta no programa do governo:
Apoio ativo (antecipatório) - é fulcral o aumento do apoio efetivo aos alunos do 1.º Ciclo, no 1.º ano e às primeiras dificuldades; a concretização clara dos objetivos das aprendizagens nos primeiros anos de estudo atuará como via verde na autoestrada para o sucesso ao longo do percurso escolar;
Apoio de remediação - enquanto não se sentirem os reflexos da medida do ponto anterior, urge aumentar as horas de crédito horário para, no âmbito da autonomia (!) das escolas, disponibilizar os apoios diferenciados aos alunos dos 2.0º e 3.0º ciclos e Ensino Secundário.
Admito abordagens alternativas a estas questões, aconselhando-se a auscultação de quem está no terreno, antes da implementação de uma panaceia que pode sair prejudicial à saúde da educação.
Professor/diretor
