O Partido Comunista escolheu faltar. A responsabilidade política e a avaliação individual que os portugueses farão desta opção só o Partido Comunista compromete. Mas o incómodo por tamanha indignidade toca-nos a todos.
O PCP decidiu desertar da luta democrática pelos valores da liberdade e do respeito pela soberania e autodeterminação do povo ucraniano. As cadeiras deixadas vagas no Parlamento simbolizam desde logo a anuência à agressão, a conivência e a subjugação aos interesses de um regime criminoso que desrespeita preceitos consagrados no direito internacional, responsável por milhares de mortes de civis inocentes. O PCP entende que a resposta à destruição do território de um país soberano é a falta de comparência.
As recentes declarações de vários dirigentes comunistas a desvalorizar a agressão russa, num exercício artificial de equiparação da ação do invasor à do invadido, podem ser lidas como uma forma de compactuar com o massacre de milhares de vidas. As valas comuns encontradas em Bucha, as violações de mulheres e crianças registadas em Kharkiv, em Kherson e Irpin, a total destruição de Mariupol são factos inequívocos e que contradizem ostensivamente a narrativa comunista. Os muitos militantes anónimos do PCP, estou certo, não se reveem nestas tomadas de posição públicas.
O PCP está envolto num processo de desgaste acelerado que possivelmente o levará à irrelevância política e social. Nas autarquias locais, onde até há meia dúzia de anos mantinha uma presença visível, está hoje praticamente reduzido à irrelevância política. Um partido desgastado pela passagem do tempo, arredado dos debates que verdadeiramente mobilizam a sociedade portuguesa, as famílias e os jovens. Um partido apegado a causas ultrapassadas pela história e que, ante o Mundo contemporâneo, se desenham como quase paradoxais. Um partido anti- -UE, defensor de regimes autoritários e antidemocráticos e que, mesmo diante das circunstâncias atuais, se recusa a reconhecer a importância de Portugal integrar a NATO.
Sobrevive alcandorado num movimento sindical que insiste em viver alheado da evolução e modernização do mercado de trabalho e que persiste nas mesmas reivindicações há 10, 15 e 20 anos.
Os lugares vazios são o retrato da deserção do PCP no combate pelos valores ocidentais do respeito pela dignidade humana e são provavelmente o epílogo de uma morte lenta que há muito se vem pressentindo. Os portugueses não esquecerão!
Jurista e gestor
