Com orgulho, Proença-a-Nova assume-se como um concelho de Interior, da célebre província, durante muito tempo estigmatizado pela distância aos centros de decisão. Foi necessária muita resiliência para ultrapassarmos as dificuldades naturais e as impostas pelo exterior, em que os proencenses há muito mostraram e demonstraram que não são provincianos. Foram essas condições extremas que nos criaram o principal problema com que nos deparamos na atualidade: o despovoamento do território.
Vivemos na incongruência de termos excelentes condições ambientais, materiais, coletivas, económicas e sociais, que se traduzem numa qualidade de vida acima da média, e de nos debatermos com este desafio transversal: a demografia, a necessidade de captar e fixar pessoas. Só o conseguimos fazer através da geração de emprego, criando oportunidades para o tecido empresarial a partir da ação empreendedora do Município, através da necessária complementaridade intermunicipal e da ação do Governo central, com medidas de discriminação positiva para repor décadas de desigualdades que criaram um Portugal a duas velocidades. É inadmissível, por exemplo, não haver cobertura de rede igual em todo o país, fator determinante de atratividade para estes territórios.
Infelizmente, a atenção mediática reduz-nos às narrativas mais sensacionalistas dos incêndios florestais, com os holofotes a ampliar o impacto de um território a arder. Com o mesmo fervor devíamos falar da criação de valor com um urgente novo ordenamento territorial, em que o uso do solo e os recursos hídricos são matriz para esta nova visão, gerindo em escala com o envolvimento do proprietário que tem de participar de forma ativa neste processo, relançando a ligação à terra que a distância por vezes quebrou. A natureza é um dos nossos principais recursos, mas tem de ser cuidada, valorizada e, acima de tudo, gerida no seu todo e nas suas múltiplas valências, sejam de retenção de carbono, manutenção de biodiversidade, espaço agroflorestal, pastorícia, resina, só para citar algumas das múltiplas externalidades que exigimos sejam compensadas.
Temos, no entanto, outros argumentos a nosso favor: a educação e a cultura, por exemplo, têm sido "armas" fundamentais para vencer os totalitarismos e as nuances de um revestido extremismo que tem desenvolvido brechas no quadro de valores que construímos para o nosso modelo civilizacional. Iniciativas que têm sempre as pessoas no centro das nossas prioridades, o nosso grande ativo, e que me leva a afirmar, sem dúvida, que Proença-a-Nova e os territórios de baixa densidade são, efetivamente, territórios de oportunidade do século XXI.
*Presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova
