Praça da Liberdade

O ano de todos os problemas

O ano de todos os problemas

Nas últimas semanas existiram alguns sinais que irão marcar de uma forma decisiva o ano de 2019. Esses sinais correspondem a cinco temas: Tancos, Orçamento do Estado, Jair Bolsonaro, Itália e PSD.

Desde logo, a questão de Tancos que, tal como o caso Watergate, poderá ser o calcanhar de Aquiles do primeiro-ministro, António Costa. Como aconteceu em 1972, em Washington, temos várias semelhanças. O presidente Nixon também não sabia nada do assalto à sede do Partido Democrático e foi encobrindo a situação. Por cá, a relação de confiança entre o antigo ministro da Defesa e os seus subordinados mostra à evidência o melindre preocupante deste problema. Até a anterior procuradora-geral da República está também disponível para falar. Enfim, até lá, o "Expresso" faz de "Washington Post". Só falta saber quem será o nosso garganta funda? Qual o grau de comprometimento do nosso primeiro-ministro?

Até lá, um conselho: devemos evitar a exposição das Forças Armadas, em particular do Exército, o que só fragiliza um dos pilares institucionais da nossa democracia.

O Orçamento para 2019 mostra como o ministro Mário Centeno não o irá executar. Ao remodelar o Governo, o primeiro-ministro deixou claro quem são os responsáveis do Orçamento que o Parlamento aprovará. Quem o preparou e discutiu em Conselho de Ministros, enquanto proposta, foram os ministros que saíram. Estranha forma de comprometer o futuro de Portugal.

A vitória de Jair Bolsonaro, no Brasil, vem mostrar como a Esquerda tem vindo a semear ventos que depois os populismos, essa ideologia de baixa densidade, conseguem colher sem dificuldades.

Jair Bolsonaro, tal como Donald Trump, é fruto desses tempos e da irresponsabilidade de uma certa Esquerda onde os princípios de liberalismo político democrático, assentes na liberdade e na igualdade, não entram e vão ter de enfrentar o medo que a judicialização da política, já lá está Sérgio Moro, e a corrupção económica criou ao afastar o povo dos centros da decisão política.

As eleições europeias, em maio próximo, serão o momento para que as elites fechadas em Bruxelas compreendam que a força da ideia europeia resulta da vontade de pessoas e não da opinião publicada que pretende uma uniformização do pensamento com uma agenda política onde os problemas dessas mesmas pessoas não são acolhidos. Salvini e Orban são só os rostos que nos fazem lembrar outros tempos e outros políticos, como Hitler, que também foram eleitos. Bruxelas tem de saber que a sua burocracia não eleita deve respeitar o equilíbrio de soberanias.

Finalmente, o PSD tem de aprender com os sinais do Mundo. Os portugueses exigem que o PSD não desista de ser um partido de combate pela liberdade pessoal, económica e social como o foi em momentos importantes da nossa vida democrática. Assim aconteceu durante o PREC (1974-1975) e com a entrada na Europa no tempo de Cavaco Silva (1985-1995). Também o foi quando tivemos de resgatar o país, após a governação socrática, com Pedro Passos Coelho (2011-2015).

Agora, em 2019, Rui Rio tem de compreender que os portugueses querem ver o PSD como o partido com iniciativa das reformas da sociedade e não como o partido que vem governar a austeridade, após os erros socialistas, como o que aconteceu com Barroso e Passos.

Afinal não podemos vir agora assistir à vitória dos filhos dos derrotados em novembro de 1975.

Não brinquemos com a democracia e a vida das pessoas porque sempre que isso aconteceu pagamos muito caro. Da última vez foram 48 anos.

PROFESSOR UNIVERSITÁRIO DE CIÊNCIA POLÍTICA

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