Opinião

O Pinóquio do SNS

O Pinóquio do SNS

Era uma vez um bonequeiro, fabricante de extraordinários bonecos de madeira, de seu nome Geppetto, que vivia só e sonhando em ter um filho com quem partilhar a sua vida. Um dia, o seu desejo tornou-se real, um boneco de madeira ganhou vida e transformou-se num bonito rapaz, a quem deu o nome de Pinóquio. Este era um menino de bom coração, mas tinha um defeito grande, mentia e sempre que isso acontecia crescia-lhe o nariz.

António Costa conseguiu um feito notável, criar um Governo harmonioso a partir de uma coligação improvável. Recrutou um conjunto de ministros de reconhecido valor, que prometiam muito, mas que, infelizmente, se têm pautado por, frequentemente, não dizerem a verdade. Das muitas inverdades, mentiras e contradições, vamos apenas salientar algumas de um deles.

Em julho de 2014, foi legalmente constituído pelo então ministro da Saúde (MS) um Fundo para a Investigação em Saúde (FIS), na alçada do Infarmed, destinado a financiar projetos de investigação dirigidos para a promoção e melhoria da saúde das pessoas. Em 2015, este fundo iniciou o apoio a vários projetos. No entanto, em abril de 2016, o atual MS reuniu um grupo de trabalho para criar uma outra Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica, que iria reavaliar o FIS e apresentar novas propostas. Em setembro de 2016, o FIS foi suspenso e a sua continuidade permanece em avaliação até hoje.

Em dezembro de 2016, o Hospital de Barcelos lançou uma campanha para adquirir um aparelho de TAC. Nessa altura, o MS veio dizer que essa compra já estava decidida antes da campanha. Mais de um ano volvido, não só não houve aquisição do equipamento como, depois de há poucos dias ter sido anunciado, novamente, o investimento na TAC, continua por definir uma data para tal.

Em maio de 2017, a ARS Norte anunciou um investimento de "mais de 13 milhões de euros" em obras para os hospitais dessa região, assegurando o seu início "ainda no decurso deste semestre". Passado quase um ano, continua a não se vislumbrar qualquer obra.

Em novembro de 2017, na Assembleia da República, o MS prometia que até ao final de 2017 seria lançado "um vasto plano de eliminação de stock de dívida no valor de 1,4 mil milhões de euros, o qual contribuirá para que se atinja o valor da dívida mais baixo de sempre". Verifica-se que a dívida no setor de saúde continua a subir.

Já em janeiro deste ano, o MS induziu em erro o primeiro-ministro, durante um debate quinzenal, quanto às unidades de saúde familiar criadas em 2017 - teriam sido 23, mas apenas virtuais, porque na realidade não tinham saído do papel.

Sobre o Hospital de Gaia, não conseguimos enumerar as vezes nem as verbas que foram enunciadas, sem que se tenha passado à prática. Ainda recentemente a Ordem dos Médicos, numa visita que realizou, alertou para o "cenário de guerra" que se vive naquela unidade e a resposta foi a mesma - promessa de mais investimentos, similares aos anunciados ao longo destes 3 anos.

Atualmente existe toda uma polémica à volta das obras que a ala pediátrica do Hospital de S. João urgentemente necessita e que eram já sobejamente conhecidas do MS. Inicialmente, já existiam os 22 milhões necessários para essas melhorias, até na conta do próprio hospital, mas... eles não existem e afinal ninguém se comprometeu com nenhuma data para a disponibilização dos mesmos.

Geppetto criou o Pinóquio.

PRESIDENTE DA SECÇÃO REGIONAL DO NORTE DA ORDEM DOS MÉDICOS

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