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O Papa Francisco costuma ser contundente nos discursos que dirige habitualmente aos membros da Cúria Romana antes do Natal. Não se limita a apresentar os cumprimentos natalícios aos seus mais diretos colaboradores - vai muito além do que as regras protocolares, nestas circunstâncias, determinam. Aproveita para criticar alguns procedimentos da Cúria e chama a atenção para comportamentos desajustados.
Nos anos anteriores já denunciou as "doenças curiais", condenando as resistências às reformas. E foi reafirmando que as reformas são para continuar. Nesta quinta-feira, nas palavras que dirigiu aos responsáveis da Cúria, voltou a ser incisivo e classificou-os em três categorias. A alguns apelidou-os de "traidores da confiança" que a Igreja deposita neles. São aquelas pessoas que se deixaram "corromper pela ambição ou a vanglória e, quando delicadamente são afastadas, autodeclaram-se falsamente mártires do sistema, do "Papa desinformado", (...) em vez de recitar o "mea culpa"".
Espera que outros ainda possam "retomar o caminho certo" e que "encontrem na paciência da Igreja uma oportunidade para se converter e não para se aproveitar". Todavia, o Papa salvaguarda que "a esmagadora maioria das pessoas" que trabalham na Cúria desempenham o seu papel "com louvável empenho, fidelidade, competência, dedicação e também com grande santidade".
O Papa pediu ainda aos seus colaboradores que fossem os seus ouvidos. Não pretende que eles sejam os olhos e os ouvidos do imperador, que reportem o que os súbditos dizem dele. "Trata-se de apreender as solicitações, as perguntas, os pedidos, os gritos, as alegrias e as lágrimas das igrejas e do Mundo, para os transmitir ao bispo de Roma a fim de lhe permitir desempenhar mais eficazmente a sua tarefa e missão", esclarece o Papa.
Para além de ouvidos, quer que eles sejam a boca para saborearem e espalharem a mensagem do Evangelho. "Creio que não é casual o facto de o ouvido ser o órgão da audição mas também do equilíbrio; e a boca, o órgão para provar mas também para falar", desenvolve o Papa.
Como são diferentes as exigências e as expectativas do Papa, quando comparadas com as de tantos dirigentes, dentro e fora da Igreja.
Votos de um Feliz Natal!
* PADRE
