O Papa já está a ponderar a possibilidade de ordenar padres escolhidos de entre homens casados e há quem acredite que tal acontecerá em breve.
O cardeal Reinhard Marx, bispo de Munique e Frisinga e presidente da Conferência Episcopal Alemã, fez esta revelação num encontro de católicos da Baviera, conforme noticiou esta semana o sítio católico espanhol "Religión Digital". Ainda que esta questão não seja consensual em Roma, o Papa já estará a refletir sobre o assunto e pretenderá propô-lo aos seus conselheiros em momento oportuno.
Há alguns anos que se vai desenvolvendo no interior da Igreja Católica a ideia de permitir o acesso ao presbiterado a homens, ainda que sejam casados, que desempenhem um papel determinante no seio de algumas comunidades, com uma virtude e maturidade cristã comprovadas. São os denominados "viri probati", que poderiam garantir a celebração da eucaristia e outros sacramentos a que alguns cristãos não têm acesso por falta de sacerdotes.
Na verdade, esta questão foi levantada pela primeira vez por Bento XVI em 2009, ainda que em circunstâncias muito particulares. Na Constituição Apostólica, "Anglicanorum Coetibus", em que se regulamentava a integração de cristãos anglicanos na Igreja Católica, abria-se a possibilidade "de admitir caso por caso à Ordem Sagrada do presbiterado também a homens casados, segundo os critérios objetivos aprovados pela Santa Sé" (n.º VI, § 2).
Ao longo do pontificado de Francisco têm saído diversas notícias sobre esta possibilidade se estender a outras realidades, mas o Vaticano desmentiu-as. Em março deste ano, numa entrevista ao jornal alemão "Die Zeit", o Papa, depois de acentuar que não está no seu horizonte alterar a disciplina do celibato, admitiu, contudo, a possibilidade de abrir a discussão sobre a ordenação sacerdotal dos "viri probati".
Pelos vistos, tendo em conta as afirmações do presidente dos bispos alemães e da COMECE (Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia), essa discussão já estará em marcha. Nesse mesmo encontro de católicos bávaros, o teólogo alemão Paul Zulehner disse que ainda seremos testemunhas dessa mudança na Igreja Católica de rito latino. O tempo, nesta questão, parece estar a acelerar.
* Padre
