Conceição Pequito, investigadora de Ciência Política do Instituto de Ciências Sociais e Políticas, traçou um retrato verdadeiro sobre os nossos deputados. Disse que "são verdadeiros profissionais, sempre à espera de nova eleição" e "fazem da sua actividade mais uma carreira do que uma vocação, etc.".
Um dos grandes males da nossa democracia é haver profissionais da política quando há eleições ou nomeações.
Na nossa democracia, os eleitores estão para um lado e os eleitos para outro. A abstenção é gritante, há muito tempo que tal acontece e assim vai continuar a acontecer, se, entretanto, nada se mudar ou for feito.
Por isso, proponho como forma de aproximar os cidadãos dos políticos a definição do que deve "ser político" e "ser deputado". Ter um mínimo de requisitos, por exemplo, ter uma profissão e não estar dependente de um cargo político.
Ser político não deve ser uma profissão, mas um lugar transitório para ajudar ao bem comum. Na maioria das profissões existe um período probatório de exigência e de prova de capacidades, também para se ser político deveria acontecer o mesmo.
Todavia, para se ser político basta filiar-se num partido, não fazer muitas ondas, obedecer ao chefe partidário, bajular continuamente para ser escolhido para uma pretensa lista, estar calado e essencialmente acéfalo.
Desta forma aplica-se o "princípio de Peter", os militantes que aspiram a ser políticos são promovidos acima do seu nível de incompetência. O mérito, a cultura, os conhecimentos, as provas dadas não contam, é contra estes processos que os cidadãos têm que lutar e não ignorar.
Os políticos devem a sua razão de ser aos cidadãos e não aos partidos. Essa é a grandeza da democracia, servir o bem comum, lutar contra as desigualdades existentes. É isso que deve guiar as linhas de um político.
Os partidos políticos não têm sido capazes de permitir uma mudança por dentro e ela está a ocorrer por fora deles.
Os partidos fazem-me lembrar um doente com as artérias cheias de gordura não permitindo a fluidez da passagem do sangue. A vida democrática está com arteriosclerose, a democracia não é fluida.
Há que renovar o sistema político e alterar a Constituição no que seja necessário.
O ser político lembra-nos logo corrupção e discursos tediosos. Está cada vez mais desprestigiado. Os políticos fazem-nos lembrar os iogurtes que têm prazo de validade a partir do qual deixam de ser credíveis.
*Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores
o autor escreve segundo a antiga ortografia
