As zonas rurais representam 83% do território da União Europeia (UE) e nelas habitam 30% dos cidadãos, isto é, 137 milhões de pessoas.
Atualmente, dois em cada três cidadãos a viver em áreas urbanas têm acesso a banda larga de muito alta velocidade, enquanto nas áreas rurais apenas um em cada seis tem esta possibilidade.
Verifica-se ainda, na UE, uma forte diminuição no número de explorações agrícolas
valor esse que ronda os 37% (entre 2005 e 2020) e constata-se que apenas 12% dos gestores agrícolas têm menos de 40 anos.
Em Portugal continental, estão classificados como de "baixa densidade" 165 municípios e 73 freguesias não pertencentes a estes municípios, o que significa que dois terços dos nossos municípios são considerados de baixa densidade ou possuem freguesias assim consideradas.
Acredito, por isso, que combater o chamado "inverno demográfico" deverá ser uma prioridade da ação política. E isto faz-se promovendo a atratividade destes territórios, a sua coesão, ou seja, investindo e promovendo a diversificação económica, o empreendedorismo e a criação de emprego. E tudo isto mantendo o apoio às atividades económicas tradicionais, tais como a agricultura, a pastorícia e a silvicultura.
Foi a pensar nestas regiões que aprovámos, nesta sessão plenária de dezembro, o relatório do Parlamento Europeu (PE) sobre a "Visão a longo prazo para as zonas rurais da UE", na qual fui o responsável pela posição da Comissão do Desenvolvimento Regional. Esta "Visão" prevê uma abordagem abrangente, combinando as políticas e ações a nível da UE com medidas a nível nacional, regional e municipal e a envolvência dos diversos parceiros sociais e económicos.
Sob minha proposta, solicitámos no documento aprovado pelo PE a introdução de uma forte dimensão rural nos futuros regulamentos relativos à política de coesão, que deverá incluir financiamento específico para esse efeito.
Esperamos agora uma ação determinada e célere, por parte dos governos nacionais da UE sobre estes territórios. Só assim a conseguiremos concretizar na prática com soluções positivas e inovadoras.
Os fundos existem, os problemas e os desafios estão identificados. Basta ter vontade política para agir. Que o Governo português tenha coragem para isso.
Na verdade, o Interior tem que ser fonte de vida!
*Deputado do PSD ao Parlamento Europeu
